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2 A Semana em Pixels #20

Ocupadodemaisaescreversobrevideojogos:
- Uma controvérsia por semana? Assim parece. Depois do divórcio Infinity Ward/Activision e da infraestrutura dos servidores da Ubisoft se ter revelado incapaz de oferecer uma experiência estável, a notícia de que o DLC de Bioshock 2 já se encontrava no disco despertou um ninho de vespas. Resumindo: é tudo um problema de percepção. As companhias menosprezam os perigos da falta de transparência em relação aos conteúdos e os consumidores não percebem que o que a indústria realmente lhes está a vender não é o jogo mas a licença para o jogar. Isto deveria levar as pessoas a dialogar mas o mais certo é nada acontecer, portanto, RAIVA MÁSCULA.
2 A Semana em Pixels #19

Mais um fim-de-semana, mais uns dias de cansaço terminal, mais alguns links, mais uns dias de saúde em declínio \m/
- Para quem questiona a integridade do jornalismo de videojogos e/ou pensa que é a única indústria onde a corrupção é uma forte possibilidade, isto pode ser um abrir de olhos. A Variety publicou uma crítica bastante negativa a “Iron Cross”, um thriller cujo único ponto de interesse parecia ser a presença de Roy Scheider (“Jaws”, “All That Jazz”, “Blue Thunder”) que faleceu durante as filmagens do filme. Acontece que a crítica foi removida e o autor da mesma, Robert Koehler, acusado de publicar a crítica à revelia dos seus superiores. Tudo isto porque a Variety tinha um contrato com os produtores do filme, os quais tinham pago à publicação 400 mil dólares para montar uma campanha de apoio durante os Óscares. Oops.
2 A Semana em Pixels #18

Entre ver projectos pessoais irem por água abaixo e andar a escrever umas coisas catitas para a revista Smash!, tem sido uma semana ocupada e as próximas não parecer ser diferentes. Todo o meu tempo livre é dedicado a… Bem, eu não tenho tempo livre. Erm. Portanto, aqui ficam os links da semana.
- É indiscutível que a IGN tem o mérito de ser um dos agregadores de notícias mais populares da nossa era. O que é discutível é se a informação que espalham é interessante ou sequer inteligente. Este artigo de Greg Miller, onde compara Mass Effect 2 a Uncharted 2, é mais do que prova que o valor da IGN deve ser questionado. Miller afirma que ambos os jogos são diferentes, que apelam a jogadores diferentes e que não são comparáveis. Tudo para depois chegar à conclusão que Mass Effect 2 é totalmente superior a Uncharted 2. Boa altura para relembrar um artigo de Sean Malstrom em 2009, que demonstra a estupidez e preconceito patentes na IGN. O tema é um podcast onde a Nintendo é atacada pelas razões mais ridículas que se possam imaginar. Passo a citar uma das muitas pérolas: “Ligar a Wii é uma experiência solitária porque não tem um sistema como o Xbox Live”. Cancro absoluto.
2 A Semana em Pixels #17

Regra geral, quando cometemos um erro, há a tendência de querer voltar atrás no tempo. Tarefa impossível, claro (também, só Marty McFly o poderia fazer) e uma que ignoraria um aspecto crucial: erro ou não, as nossas decisões moldam o nosso carácter. Quando há uns anos atrás me vi numa crise existencial que me levou a abandonar os videojogos e a escrita sobre os mesmos, o desejo de voltar atrás foi gradualmente suplantado por uma certa aceitação. Foi uma escolha feita em plena posse das minhas faculdades mentais e a cruz a carregar era só minha. Já tomei decisões piores e ainda vivo com elas e suspeito que muitas outras pessoas partilham a mesma experiência. É por isso que quando surgem oportunidades para, de algum modo, me redimir não sei o que pensar. Quando recebi o convite para participar na revista Smash!, não hesitei (spoiler: pode não ser inteiramente verdade). Quando esta semana me chega pelo correio uma prenda de Natal atrasada, na forma de The Legend of Zelda: Wind Waker, o mundo entra em “bullet time”. Outrora na minha posse, foi vendido a sangue frio e está associado a outro tipo de perdas na minha vida. Agora que tenho a possibilidade de regressar, discutivelmente, ao melhor Zelda alguma vez criado, não sei bem o que pensar. Dizer que o vou jogar é um truísmo mas vai ser curioso voltar à expressão máxima da wanderlust do Miyamoto enquanto me tentar abstrair de pensar no duplo significado que o jogo agora adquiriu. Lamechas, dizem eles. Algo mais interessante, portanto:
- Um excerto do Disneyland TV Show de 1958 intitulado Auto-Estrada Mágica USA, que pondera sobre o futuro de tecnologias usadas em meios de transporte. É um artefacto muito do seu tempo, com a radicalidade de um futuro optimista a chocar com a tradição de papéis masculinos e femininos na sociedade (ou seja, as auto-estradas poderiam ser coisas mágicas e futuristas, mas quem as dominava era o homem, com a mulher ainda agrilhoada ao papel de dona de casa).
4 A Semana em Pixels #16

Já cheguei à edição 16? Hum, yay? Crítica a Bioshock 2 já está pronta, apenas falta limar umas arestas e tratar da tradução – deve estar disponível nos próximos dias. Até lá, prevejo um Sábado e Domingo com queda de Alien vs. Predator e umas aberturas em Endless Ocean 2. Para já, os links da semana.
- A PC Gamer afirmou e a Ars Technica confirmou: a versão de Assassin’s Creed 2 para PC não só requer uma activação online mas também exige que os jogadores estejam ligados constantemente à internet para conseguir jogar e até gravar o seu percurso. Em teoria, isto impede o jogo de entrar no mercado de segunda mão pois a informação fica associada à nossa conta e aos servidores da Ubisoft, e também impede (ou pelo menos atrasa) os piratas digitais. Na prática, isto faz com que o jogo não possa ser jogado offline e que se algo acontecer à nossa ligação ou até mesmo aos servidores da Ubi, é impossível jogar AC 2. Falha de conectividade depois de uma hora de jogo sem passar por um único checkpoint? Azar. Perderam tudo desde a última vez que gravaram.Situações semelhantes têm acontecido com Mass Effect 2 e Dragon Age: Origins, da Bioware. Quando os servidores da Electronic Arts entram em períodos de manutenção, os jogos não conseguem reconhecer os DLC respectivos, o que impede os jogadores de acederem aos mesmos. Qualquer “save” que use conteúdo dos DLCs é considerado inválido até que os servidores voltem a funcionar. Não é difícil perceber porque esta dependência numa ligação constante é uma terrível ideia: problemas com um ISP, falhas num router, interferências em ligações wi-fi, estabilidade precária de redes 3G e problemas nos próprios servidores da Ubi (manutenção ou mesmo a um eventual encerramento no futuro) são apenas algumas das situações que podem acontecer. Sem contar com o mais óbvio: sim, há quem não tenha uma ligação à internet em casa. Se alguma vez existiu uma razão válida para os jogadores de PC fazerem boicote a um jogo, aqui está ela. E falo de um boicote absoluto. Há que suprimir a ideia de que é obrigatório jogar todas as novidades no mercado, e jogá-las independentemente dos custos – quer financeiros quer éticos – associados a isso. Porquê? Porque se comprarem o jogo, vão dar a entender à Ubisoft que aceitam este tipo de sistema. Se piratearem o jogo, a Ubisoft só vai reforçar a sua posição e vai continuar a insistir que este tipo de sistema é necessário. É um ciclo vicioso e viciado, que apenas o consumidor pode ajudar a quebrar. E já chega de instigar revoluções por hoje.
2 A Semana em Pixels #15

Dei por mim com uma cópia de Bioshock 2 para analisar na Xbox 360, cujo texto vai aparecer no próximo número da revista Smash!. O resultado é um shooter mais refinado mas uma experiência inferior ao original. Um bom jogo mas não mais que isso – o que, considerando o primeiro título e o clima actual de videojogos, até é positivo. Mas há ali todo um potencial que ninguém soube aproveitar. Eventualmente, antes de Fevereiro acabar, devo deixar uma paredezita de texto sobre o jogo aqui. Mas pegar em Bioshock 2 teve pelo menos um aspecto positivo – deixar-me a pensar no original, o que me levou a revisitar a primeira iteração de Rapture e a deixar aqui alguns links relacionados ao jogo.
- Muitas vezes dei por mim a pensar que o primeiro Bioshock devia ter tido apenas uma Little Sister e um Big Daddy, e que a nossa interacção com eles ao longo de várias etapas do jogo devia moldar o final em vez de, como acontece no título da Irrational, assentar numa perda gradual de espanto que foram os encontros rotineiros entre eles. Entretanto, vejo esta incrível performance em Berlin que envolve a reunião entre “um Grande Gigante, um mergulhador de profundidade, e a sua sobrinha, a Pequena Giganta”, para comemorar o vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim e não consigo evitar de me repetir: Bioshock devia ter tido apenas uma Little Sister e um Big Daddy. Tenho bastante respeito por Levine e companhia mas nestas fotos há mais impacto, mais história, mais emoção do que “CARREGUEM EM X PARA SALVAR”.