4 A Semana em Pixels #16


Já cheguei à edição 16? Hum, yay? Crítica a Bioshock 2 já está pronta, apenas falta limar umas arestas e tratar da tradução – deve estar disponível nos próximos dias. Até lá, prevejo um Sábado e Domingo com queda de Alien vs. Predator e umas aberturas em Endless Ocean 2. Para já, os links da semana.

  • A PC Gamer afirmou e a Ars Technica confirmou: a versão de Assassin’s Creed 2 para PC não só requer uma activação online mas também exige que os jogadores estejam ligados constantemente à internet para conseguir jogar e até gravar o seu percurso. Em teoria, isto impede o jogo de entrar no mercado de segunda mão pois a informação fica associada à nossa conta e aos servidores da Ubisoft, e também impede (ou pelo menos atrasa) os piratas digitais. Na prática, isto faz com que o jogo não possa ser jogado offline e que se algo acontecer à nossa ligação ou até mesmo aos servidores da Ubi, é impossível jogar AC 2. Falha de conectividade depois de uma hora de jogo sem passar por um único checkpoint? Azar. Perderam tudo desde a última vez que gravaram.Situações semelhantes têm acontecido com Mass Effect 2 e Dragon Age: Origins, da Bioware. Quando os servidores da Electronic Arts entram em períodos de manutenção, os jogos não conseguem reconhecer os DLC respectivos, o que impede os jogadores de acederem aos mesmos. Qualquer “save” que use conteúdo dos DLCs é considerado inválido até que os servidores voltem a funcionar. Não é difícil perceber porque esta dependência numa ligação constante é uma terrível ideia: problemas com um ISP, falhas num router, interferências em ligações wi-fi, estabilidade precária de redes 3G e problemas nos próprios servidores da Ubi (manutenção ou mesmo a um eventual encerramento no futuro) são apenas algumas das situações que podem acontecer. Sem contar com o mais óbvio: sim, há quem não tenha uma ligação à internet em casa. Se alguma vez existiu uma razão válida para os jogadores de PC fazerem boicote a um jogo, aqui está ela. E falo de um boicote absoluto. Há que suprimir a ideia de que é obrigatório jogar todas as novidades no mercado, e jogá-las independentemente dos custos – quer financeiros quer éticos – associados a isso. Porquê? Porque se comprarem o jogo, vão dar a entender à Ubisoft que aceitam este tipo de sistema. Se piratearem o jogo, a Ubisoft só vai reforçar a sua posição e vai continuar a insistir que este tipo de sistema é necessário. É um ciclo vicioso e viciado, que apenas o consumidor pode ajudar a quebrar. E já chega de instigar revoluções por hoje.

  • Mas ainda sobre o desastre AC2, o utilizador “ignatiusjreilly” na Eurogamer apresenta uma analogia deveras interessante. Olhem para esta imagem e imaginem que “o homem representa os piratas, o carro representa os consumidores e o autocarro representa o DRM da Ubisoft”.
  • Ler esta entrevista de David Cage na Eurogamer dá vontade de tocar “air masturbation”. Se o termo “dramaturgo interactivo” não fosse suficiente para erguer o sobrolho, sobre Heavy Rain, Cage pergunta “quantos jogos nos podem levar a falar sobre algo das nossas vidas pessoais?” e responde “muito poucos”. Cage parece um Molyneux em treinamento e esquece-se de algo incrivelmente óbvio: todos os jogos são experiências pessoais e como tal, são capazes de nos relembrar das nossas vidas. Não interessa se um jogo é criado por decisão de comité ou se é um trabalho de amor pelas mãos do equivalente a uma banda de garagem, cada jogo ressoa nos jogadores de modo único e pessoal. Se a indústria não estivesse ocupada a falar de “gráficos”, “som” e “jogabilidade”, talvez reparassem nas pessoas que jogam GTA: San Andreas como turistas isentos de julgamento pelos seus pares enquanto tentam criar uma identidade nova numa cultura diferente; sobre como uma mera opção em jogos online como Unreal Tournament nos pode lembrar momentos bem passados com um amigo; de como o marketing de um jogo traz à tona memórias desagradáveis sobre a sexualidade de alguém; de como a moralidade em alguns jogos nos pode levar a explorar e repensar sentimentos de paternidade. E estes exemplos são meras gotas de água num oceano. Que Cage não tenha o tempo ou a inclinação para os conhecer todos é perfeitamente compreensível; que atribua a Heavy Rain uma qualidade que não é, de todo, singular é ridículo. Mais ridículo ainda só mesmo quem papa estes grupos.
  • Prose in Motion. pequeno e inteligente jogo Flash que combina física, ortografia e ‘sandbox’.
  • Um debate importante: serão os jogos erte?
  • “A minha ideia é que estamos perto do final da idade moderna”. O economista norte-americano Jeremy Rifkin apresenta argumentos convincentes e assustadores em prol de uma mudança na consciencialização global. Leitura imprescindível.
  • Exemplos assustadores do quão rápidamente confiamos nos nossos olhos. E pensar que a televisão se encontrava numa posição única para desafiar a obsessão que o cinema tem pelos excessos da era digital.
  • A Kotaku (ou aliás, Brian Ashcraft) olha para o marketing japonês de Dante’s Inferno e cruza referências a imagens fortíssimas para fazer observações interessantes sobre racismo. Espero que isto seja um sinal de boas coisas no futuro já que a Kotaku é uma excelente fonte noticiosa mas nem sempre se esmera na criação de artigos.
  • Ao longo deste artigo e nos comentários que lhe seguiram, Jonathan McCalmont (um colunista na Futurismic) sugere se estamos predispostos a ter uma recepção a certas obras de acordo com o hipnotismo social a que somos sujeitos, e questiona se a recepção em torno de coisas como Avatar e Bayonetta se deve ao papel que é esperado de nós na sociedade (ou seja, se somos condicionados a gostar do filme ou do jogo apenas porque é isso que é esperado dos grupos sociais onde estamos inseridos) mas acredita que, na verdade, tentar distinguir entre entretenimento intelectual ou vulgar é escusado: somos todos ovelhas. Boas ideias a explorar em relação à cultura de videojogos, não?
  • Uma história de violência galinácea.
  • Ideal para casamentos e conquistar o mundo.
  • Spy e Pyro. Uma história de amor.
  • “Temos homens de topo a trabalhar nisso neste momento”.
  • Rambo estatístico.
  • Depois de Tom Clancy’s HAWX, chegam imagens da sequela: OWLZ.
  • Somos Batmans ou cowboys? Pequena mas boa análise a como resolvemos problemas em jogos.
  • À procura do pugilista invisível. Excelente artigo sobre localizar todos os homens que combateram contra Muhammad Ali e um deles, o último na lista, em particular.

Links. Links nunca mudam.

4 Responses to A Semana em Pixels #16

  1. A versão PC do AC2 tem uma vantagem face às versões de consola: os DLC já estão incluídos de raíz. De resto, é o mínimo que se espera de uma versão PC: gráficos melhorados. Fora isso não acho que tenha algo mais e como ainda não toquei nos DLC não posso confirmar se são bons.

    Há muitas coisas que se podem fazer para reduzir o interesse na pirataria e o que é estúpido nisto tudo é que a Ubi teve uma boa ideia há uns meses: criar uma rede social para os seus jogos, completa com achievements próprios. Por acaso acho isto um passo interessante, possivelmente brilhante: a julgar pelo sucesso dos troféus e achievements de PSN e XLive, respectivamente, há um claro mercado para isso. A julgar pela aderência do conceito em jogos como Mass Effect 2 e Dragon Age, tem pernas para andar e é uma mais valia para quem tem interesse nisso. Potencialmente, e aqui falo apenas de uma sugestão minha, o sistema podia tornar-se retrocompatível com jogos antigos e atribuir prémios a quem investe nele.

    Mas não. Estragaram tudo com o DRM.

    Quanto ao que disse sobre a câmara de filmar, é precisamente nesse aspecto do ridículo que é a paragem de autocarro vs. parede verde. Mesmo que houvessem entraves a filmar em ruas movimentadas, nada desculpa substituirem a paragem por aquilo. Ainda se pode alugar ou construir pequenos cenários para situações destas, mas a obsessão pelos excessos do digital até isso impedem.

  2. Eu sinceramente não percebo a necessidade de tanta protecção. Quer dizer, eu percebo a necessidade, não percebo é a forma que arranjaram para satisfazer as necessidades da Ubi. Lançar um jogo seis meses mais tarde, provavelmente a um preço bem elevado (50 euros é elevado!), que, pelo que sei, e posso estar errado, não traz nada de novo, e ainda por cima traz uma protecção que vai lesar jogadores que não estejam 24/7 ligados à net (ou que por algum motivo ficaram sem ela momentaneamente), é de doidos!

    Querem travar a pirataria? Experimentem baixar os preços… Quer dizer, lá fora as coisas são outras, e os jogos são lançados até a preços mais “decentes”, mas pronto… The point is: um jogo que já todos jogaram, que já todos ouviram falar, que já foi exposto até onde era possível, ser lançado com tantos entraves, vai ser giro vai.

    A cena da “Ugly Betty” eu compreendo o porquê do uso daquela tecnologia. As ruas que eles filmam estão imensamente povoadas e a série é um tremendo sucesso na América. Se eles fossem filmar aquilo mesmo para a rua, não terias ruas movimentadas, terias ruas totalmente congeladas de pessoas a olhar para as filmagens e para os actores lol Mas quer dizer, usar um cenário TOTALMENTE verde para uma personagem bater de frente contra uma paragem de autocarro (paragem essa algo mal localizada, literalmente à saída de um edifício lol) é… é… nem sei o que é! É de ficar sem palavras! lol Que combinassem o uso do ecrã verde com elementos reais, mas assim é de loucos.

    Não sei até que ponto é que se perde isso que falas, do “poder natural da câmara de filmar”, porque se repararmos em algumas cenas foi tudo filmado e mais tarde juntaram as várias filmagens (falo no caso da Ugly Betty por menos), mas há casos em que realmente existiram mudanças bem exageradas. Em Grey’s Anatomy por exemplo, na cena do barco em chamas. E aí até concordo com o que dizes.

  3. Facepalm monumental em relação ao desastre de AC2. O que me incomoda mais é a falta de informação sobre isto que poderá vir a afligir jogadores desinformados (os que estão informados e não querem saber só se podem culpar a eles), e a atitude lassez faire da Ubi, que continua a tropeçar em sistemas draconianos e completamente ineficazes. Parece que a ignorância é paga a valor “premium” quando se trata de distribuir ordenados a quem conjura estas ideias.

    Heavy Rain… Independentemente do valor do jogo, esta reciclagem de grandiloquências é absurda. O pior é que se notam paralelos em nomes como Molyneux, Dyack e Cage, que apelam aos carneiros de olhos meio fechados.

    Deu-me uma coisinha má quando vi essa cena de “Ugly Betty”. Insano e completamente desnecessário, é quase um manual sobre como desperdiçar dinheiro e abandonar de bom grado o poder natural da câmara de filmar. Mas também, nós criticamos isto e depois jogamos videojogos, que também desperdiçam milhões a tentar parecer coisas que não são. Se fosse só a crise financeira para onde caminham…

  4. É por essas e por outras (relativamente ao AC2) que estou feliz por ter o jogo na PS3 (e ainda não o ter terminado porque me aborreci lol). Mas adorei a comparação feito pelo utilizador da EG eheheh

    E tanta treta do Heavy Rain, começa a enjoar. O pouco interesse que tinha no jogo, acabou de se tornar em repulsa…

    Por fim, aquele vídeo onde nos mostram o uso do ecrã verde em séries e afins, já conhecia mas sempre que vejo é igualmente assustador! Principalmente por ver que a “Ugly Betty” é praticamente tudo feito em ecrã verde (então a cena onde ela bate contra uma paragem do autocarro… Até as pessoas foram lá colocadas posteriormente! É totalmente insane! lol