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1 Formação Lúdica (2)
O que começou por ser uma série planeada de textos sobre os jogos que mais me influenciaram já se arrastou por tanto tempo que quase já não faz sentido continuar a escrever sobre eles, ou sobre mim. Mas viagens pela memória são sempre fascinantes, nem que seja apenas para perceber a maneira como viemos a olhar para os videojogos e para nós próprios. Portanto aqui fica a parte 2 do Formação Lúdica. Ainda podem ler a parte 1 aqui.
“Cuidado com o que desejas – podes acabar por ter isso mesmo”
Isto sempre me pareceu uma máxima estranha até eu começar a jogar videojogos mais a sério. Sério, não porque evitava sorrir quando pisava Goombas ou porque me impedia de rir ao ouvir Ultrakills serem anunciados, mas a jogá-los com determinação. A dada altura, entretenimento e investimento pessoal aproximaram-se perigosamente um do outro e eu passava dias a caçar entusiasmo em formato digital. Estrelas secretas, caminhos secretos, portas secretas, técnicas secretas, lugares secretos, prazeres secretos. Todos eles seriam meus.
Comecei a compreender que o entusiasmo era rentável. Algums estúdios percebem isto – têm reinventado as teias de competição, sucesso e pressão de pares, desde os ecrãs de pontuação máxima nas velhas máquinas de arcada até aos achievements e aos leaderboards online. Mas se excluírmos o direito à bazófia ocasional quando sobrevivia – ou marcava pontos – durante mais tempo com quem quer que jogasse cooperativamente comigo em jogos como Contra, nunca foi algo que persegui. Uma parte de mim queria saber porque os outros apreciavam tanto a competição mas divertir-me era uma preocupação muito mais premente do que impressionar ou humilhar adversários.
Até ao dia em que o meu pai pegou num controlador e disse “vamos lá ganhar isto”.