2 A Semana em Pixels #26

E assim acaba. Um ano depois, a revista Smash! chega ao fim da sua circulação. Resta a memória do trabalho duro e dedicação ao projecto, de tempo bem passado com a equipa editorial, do período de aprendizagem com alguns dos melhores jornalistas da área em Portugal. Agora a meio caminho entre a sarjeta e as estrelas, resumo alguma actividade neste blogue e nos videojogos em geral. Portas fecham-se, janelas abrem-se. Cá vamos nós.

  • De acordo com este relatório, em 2009 os jogadores norte-americanos gastaram 25.3 mil milhões de dólares em videojogos enquanto os jogadores britânicos alcançaram os 3.8 mil milhões. Aparentemente, o PC ocupou entre 16 a 20% do total de receitas do mercado enquanto as consolas ocuparam entre 60 a 63%. Há aqui duas curiosidades a apontar. Primeiro, é que o relatório não faz uma divisão das receitas de consolas, preferindo comparar uma plataforma isoladamente (o PC) com outras plataformas agregadas (as consolas, nas quais se encontram PS3, Xbox 360, Wii, Nintendo DS e PSP). Se dividirmos as receitas das consolas por cada plataforma, isso faz com que cada consola tenha apenas 10% do total de receitas e com que os 20% do PC – uma plataforma supostamente morta desde 2001 – ainda seja sinónimo de uma forte presença. E segundo… 25.3 mil milhões gastos em videojogos? Só no mercado norte-americano? Qual pirataria, senhores da indústria?

  • Também sobre a pirataria, chega este artigo do site TorrentFreak que revela algo caricato: tal como o “patch” para Rainbow Six: Vegas 2 que a Ubisoft lançou era na verdade um “no-cd crack” de um grupo de piratas, também a Rockstar Games parece ter feito o mesmo com Max Payne 2. Alguém nos fóruns do Steam deu-se ao trabalho de explorar o executável do jogo com um editor hexadecimal e encontrou no seu código… O logo da Myth, um grupo de “crackers” especializado em quebrar protecções anti-pirataria. O que sugere que a Rockstar se apropriou do “crack” do grupo, possivelmente sem permissão, e o lançou como sendo propriedade da companhia. Entendam – é a pirataria dos jogadores que é má, não a das companhias!
  • A Sega revelou as suas medidas DRM para Alpha Protocol, e são uma pequena maravilha. De acordo com comentários oficiais, o jogo da Obsidian Entertainment vai usar o sistema Unilock, o qual não requer uma ligação constante à internet, não precisa de um DVD para se jogar o jogo e permite, em teoria, instalações múltiplas. Irónico que uma companhia predominantemente conhecida pelo seu historial em videojogos de consolas é também uma daquelas que percebe melhor os jogadores de PC. Por outras palavras, a Sega faz o que a Ubifalha.
  • Clint Hocking, manda chuva de Far Cry 2 na Ubisoft, demitiu-se da companhia. Numa carta sincera e apaixonada aos leitores do seu blogue, Hocking fala sobre o seu trajecto na indústria de videojogos e as razões por detrás da sua decisão. “Mas eu sou uma pessoas de hábito. Para mim, os hábitos começam-se a formar quando estou confortável e satisfeito, e com o tempo esses hábitos instalam-se. (…) O orgulho arde até se tornar arrogância. A vontade murcha até se tornar desespero. A confiança acalma até se tornar teimosia. A paixão ferve até se tornar raiva. Cada uma destas falhas e outras – sem atenção constante e escrutínio próprio – arriscam tornarem-se hábitos. Eu estou confortável demais. Estou satisfeito demais. E sei onde isso me pode levar”.
  • O criador de Bayonetta, Hideki Kamiya, parece não estar satisfeito com alguns fãs. Nomeadamente, aqueles que representam a protagonista feminina do jogo em contextos pornográficos. Se por um lado é compreensível que um autor não aprecie ou concorde com a maneira como as suas criações são manipuladas, por outro Kamiya está a ser incrivelmente ingénuo ou hipócrita. Ele próprio criou personagens femininas e reduziu-as à condição de objecto sexual – como pode esperar que alguns fãs do jogo não façam o mesmo? Virtualmente todos os movimentos, poses e acções da personagem no jogo têm conotações sexuais. Ele está chateado com os fãs ou ciumento por eles terem a liberdade para levar os devaneios do autor até à sua conclusão óbvia?
  • Mark Morgan, compositor de Fallout e Fallout 2, lançou uma versão remasterizada e gratuita da banda sonora dos jogos num álbum entitulado Vault Archives. O download, na Aural Network, está temporariamente indisponível – resta saber se por decisão de Morgan ou por burocracias bacocas da Bethesda – por isso o melhor é visitarem o No Mutants Allowed e fazerem download através dela. Sóbria, arrepiante, com uma compreensão fantástica do que a Black Isle estava a tentar fazer com a série.
  • Phil Cameron fala sobre o stress pós-DRMático da Ubisoft e, em particular, de Splinter Cell: Conviction. Preciso de escrever algo semelhante sobre Assassin’s Creed 2, e sobre como a versão de PC é a melhor versão porque transforma toda a internet num antagonista recorrente.
  • Tim Rogers sobre God Hand, adorar jogos estúpidos, Roger Ebert, jogos que são arte porque não são arte, e as habituais paredes de texto que ele nunca deve parar de escrever.
  • “I Dream in Retro” é uma pequena animação Flash baseada no sonho febril de OrinCreed, no YouTube, onde a estética e mecânicas de vários jogos 8-bits se rearranjam para criar algo diferente mas muito semelhante aos títulos originais.
  • Capas da Amazing Stories, em estilo “pulp”, entre 1983 e 1940.
  • Um pequeno guia ilustrado às localizações de videojogos.
  • Já cumpriram o vosso dever na Guerra Mundial de Pacman?

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2 Responses to A Semana em Pixels #26

  1. @Nelson:

    Não esperava que comentasses aqui no blogue, mas óbvio que és muito bem vindo :D

    Quanto ao que disseste, sim, essas são algumas das coisas incluídas. Mas apenas salientam que o PC não está morto – em vez disso, é uma plataforma que sofreu mudanças e está a sobreviver muito bem às novas forças motrizes do mercado. Durante anos estabeleceu-se por alguns iluminados que os jogos seria sempre algo distribuído em formato físico, que jogos online não eram “jogos a sério”. Hoje em dia esses iluminados são homens das cavernas e as pessoas jogam ao que bem lhes apetece, sem contar com a predominância da distribuição digital – exemplo primário sendo os estúdios “indie” e serviços como o Steam.

    Além disso, considerando as vendas da Wii e a DS, é de supor que aqueles números são ainda mais danosos para as outras consolas e para a noção de que o PC está morto. As consolas da Nintendo ocupam uma boa parte do mercado e a PSP tem (ou está a ter) mais sucesso no Japão. Bonito foi ver naquelas estatísticas o mercado alemão. PC com 30% de quota de mercado? Morto, morto, morto! :lol:

    Não deixa usar acentos? :P

  2. ncalvin says:

    obviamente que uma grande parte das receitas de jogos PC vem de jogos casuais, flashes, mensalidades de MMOs, etc. Coisas que nao sao tao pirateaveis como os jogos “de prateleira”. esses estao em completo declinio no PC (porcaria de caixa de comentarios, nao deixa usar acentos)