
Boa Páscoa. Não sei por quanto mais tempo posso garantir a continuidade dos links semanais. Tudo é desespero. Avante!
- A revista Elle juntou-se a outras publicações e iniciativas que tentam mostrar ao mundo como as mulheres são na realidade, numa edição especial de 32 páginas dedicada a curvas generosas. É discutível até que ponto esta decisão abala o imperativo da estética esqueletal que parece sufocar o “mundo da moda”, mas o artigo do The Observer menciona curiosidades, como Karl Lagerfeld ter atacado a cadeia de lojas H&M por produzir versões das suas roupas para todos os tamanhos, ou Rosemary Masic, que se recusa a confecionar tamanhos maiores por promoverem um “estilo de vida pouco saudável”. A “moda” é um meio que apela a uma fantasia do corpo? Sim. Que apela a “sonhos e ilusões” em vez da realidade? Sem dúvida. Mas onde se encontra um estilo de vida saudável em casos como Feline Visscher (1, 2), Snejana Onopka (1, 2) ou Natalia Belova (1, 2)? O que atrai nesta fantasia? Uma exultação da pedomorfia? Um espectro de morte? Haute Couture? Não será mais Grand Guignol?
- A esta altura, Trolololo já não é novidade. O mini-épico com letra apalermada cantada com optimismo desenfreado de Eduard Hill já se tornou numa meme, mas só agora descobri duas coisas interessantes sobre tudo aquilo. A canção, originalmente sobre um cowboy americano e a sua amada, foi martelada pela censura Russa e a letra do compositor Arkadi Ostrovski tiveram que ser mudadas. O resultado final é aquele que conhecemos – dois minutos e quarenta segundos de “mas que raio?”. Por outro lado Christoph Waltz, que teve o papel de Hans Landa em “Inglorious Basterds”, respondeu à canção original com uma versão muito própria. Que sacana glorioso.
- Durante os tempos áureos de Action Half-Life, uma modificação para o primeiro Half-Life que pretendia filtrar o combate através da lente John Woo, surgiram inúmeros modders de renome e talento. Um deles, Hondo, era exímio em criar “easter eggs” e mapas cheios de segredos e momentos imprevisíveis. Antes de desaparecer da comunidade, Hondo deixou um forte legado mas também um dos mapas mais assombrosos de sempre: 5 A.M. Quintin “Quinns” Smith escreve sobre o que foi tentar conquistar o mapa, e sobre ser morto por uma pêra gigante.
- Lewis Denby escreve sobre videojogos como sexo. “O que são videojogos? Bem, são sobre controlo. São sobre controlar uma situação. São sobre poder e domínio, sobre desejo, sobre excitação. Por vezes são experiências intensamente íntimas; também podem ser experiências sociais engraçadas. Numa maneira muito séria, o acto de jogar um jogo – de controlar uma personagem, de desempenhar um papel, de viver as nossas fantasias, de sucumbir ao desejo, de nos escondermos por detrás de algo, de mudar a vida de alguém… são coisas que também alcançamos através do sexo”. Concordo mas também proponho que isso influencia não apenas os jogos em si, mas também a própria embalagem. Alguma vez removeram cuidadosamente o plástico à volta da caixa de um videojogo e colocaram-no gentilmente sobre a vossa cama, para depois o contemplar? Ou simplesmente rasgaram o plástico e empurraram o disco para dentro da consola à procura de um estímulo rápido?
- E aqui está Denby outra vez, na Resolution Magazine, a escrever sobre o que sentiu quando alguém lhe perguntou se gostava de Halo depois de essa pessoa saber que ele era um jornalisa de videojogos. A ideia é que não devemos menosprezar quem chegou aos videojogos através de Halo ou outros jogos de alto perfil, porque todos nós começámos da mesma maneira, e que ao contrário de nós, eles ainda têm um mundo inteiro de possibilidades para descobrir.
- Doctor Who a dançar Disco com Doctor Doom? ZZ Top a matar zombies? Peter Parker a jogar pingue-pongue com Pikachu? Sim. O A-Z of Awesomeness de Neill Cameron é assim tão fantástico.
- Lord of Ultima é um jogo Flash de combate, conquista e domínio territorial e alianças para criar ou desfazer. Facto triste: salvo o facto de se situar no mundo de Ultima, pouco ou nada tem a ver com a ilustre série. Uma vez disse que queria gostar da Electronic Arts, tendo em conta algumas das suas decisões e riscos recentes, mas são coisas assim que me impedem de lhes escrever cartas perfumadas. Suponho que encontre um mercado nos fãs de jogos de estratégia online, que não querem saber da importância do legado ou de um nome e procurem apenas algum divertimento. Por aí é justo, mas para quem esperava por algo que fizesse justiça ao que Richard Garriott fez de melhor no passado… Ouço corações a partirem-se.
- Por falar em corações partidos, outra ressuscitação dúbia está no ar, desta vez com Zork, a lendária e divertida série de jogos de aventuras de texto e gráficas. Legends of Zork também é um jogo Flash online de combate e “grind” com… Muito pouco em comum com Zork. Tem um sentido de humor familar e tal, e nota-se que a equipa por detrás do jogo tentou ter isso em conta, mas acaba por ser uma emulação fria de glórias passadas. A interactividade é típica do género, com dados e probabilidades e equipamento, mas é minado por competição que anda nisto há anos e jogabilidade sedada e pouco gratificante. Sem surpresas, é mais um exemplo de como “sistemas antigos” (como explorar e interagir através de escrever verbos e acções) ainda têm algo a oferecer face a “sistemas novos” (clicar e ver tudo acontecer automaticamente).
- Redder é – que mais? – um jogo Flash. Mas é bom. Gráficos e banda sonora minimalistas cruzam-se com exploração à Metroid e uma homenagem a jogos de plataformas antigos e difíceis como o raio, em particular Monuments of Mars da 3D Realms.
- Mario cuzado com Tetris em Tuper Tario Bros.
- O evangelho! Em 10 segundos! Carreguem na tecla de espaço para fazer coisas “à Jesus”! Corre, Jesus, Corre!
- Resident Evil Fighter. Personagens de Street Fighter como se fizessem parte das hordas zombificadas de Resident Evil. E quem gostar do traçado pode sempre ver a galeria do artista Manuel Moura aqui.
- Law Abiding Engineer. “Law Abiding Citizen” misturado com Team Fortress 2. Muito bom.
- “La Machine” em Yokohama. “Pelo 150º aniversário da abertura de Yokohama ao exterior, a França trouxe, para esta ocasião, duas gigantes aranhas robóticas chamadas “La Machine”. Concebidas por um engenheiro francês do grupo “Royal de Luxe”, as aranhas andaram pelo porto de Yokohama. Fogo de artifício e música também animaram a audiência”. Se não estou em erro este é o mesmo grupo que criou a Reunião de Berlim, sobre a qual já tinha aqui falado.
- O download como método de desobediência civil. Quanto dali poderia ser aplicado, com justiça ou não, à indústria dos videojogos?
- O que não sabiam sobre a Nintendo. Ou que talvez já soubessem, mas não custa relembrar.
- Fine Young Cannabis.
- “Meu Deus, até tem uma marca de água“.
(P'__')ÇO-('__'Q)
Olá Alex
Bem tento. Não é fácil porque tenho sempre trabalho para a Smash e para o Hi-Gamers, e quando dou por mim já é final da semana e fica sempre a sensação de que não fiz nada e que ainda há muito mais para fazer. É por isso que actualizações “a sério” no blogue são bastante espaçadas. Em contrapartida, tenho literalmente dezenas de anotações sobre coisas que quero escrever e não tenho tempo. Quando finalmente arranjo tempo para escrever sobre uma… Já a lista cresceu.
Mas enquanto conseguir vou actualizando isto
Boas,
Primeiro, por favor não deixes de escrever estes posts semanais. Nos poucos blog’s que sigo e leio são estes que talvez eu mais goste de ler porque encontro sempre um pouco de tudo.
Bem, quanto ao primeiro ponto sobre a revista Elle, eu considero que, infelizmente, o mundo de hoje é feito para as pessoas magras. As modelos são esse mesmo exemplo, atingindo formas e medidas completamente absurdas. No entanto, tornam-se num protótipo de mulher “jeitosa” ou como alguns lhes querem chamar – estupidamente” – “saudável”. Enfim, se soubessem como qualquer homem gosta de um bocadinho de carne para poder agarrar já não diziam isto
Quanto ao artigo sobre a relação entre videojogos/sexo, também gostei. Nunca tinha pensado nisso e se formos a ver, há muitos aspectos semelhantes e até pertinentes
Um Epic Win para o “Run, Jesus, Run”!
E um Fail para aquele billboard!
Até ao próximo post
Abraço