A Oprah não me conseguiu vender o Kinect

Posted: 23rd Novembro 2010 by enghedi in Gamertalk, Opinião
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Começou com o Wiimote, passou pelo Move e acabou (?) no Kinect. Não podemos esquecer os acelerómetros do iPod/iPhone e demais clones, o controlo por movimento chegou para fazer das suas…

Fica por saber que valor tem estes controlos para nós que gostamos de levar o jogo um pouco mais a sério que uma ocasional investida por jogos sociais ou de QI menos elevado.

Para onde isto caminha, ou nos apanham a mandar um comando pelo ar ou a fazer gestos ridículos para lançar uma granada pelo ar. Seja como for, a minha experiência com o Kinect tinha muito hype a cobrir mas acabou insatisfatória. A Oprah mentiu-me… Mas porque é que aquilo não me cativou???

Confesso que a Wii nunca me atraiu por causa da infantilidade dos jogos. Reconheço o seu valor, tem realmente alguns títulos divertidos, mas não esperem ver-me apenas a jogar “coisinhas” com o Call of Duty ou Gran Turismo na prateleira. Tenho gostos demasiado eclécticos para me absorver por um só género. Por isso optei primeiramente por comprar uma Playstation 3 e mais tarde uma Xbox 360.

A minha experiência com o controlo por movimentos começou, portanto, com o Move. Ao princípio achei sempre que era um Wiimote 2.0 e tive quase a certeza que não era para mim até pegar num e jogar “Sports Champions” com arco e flecha. Adorei a precisão, adorei o feeling de interacção. Foi meio caminho andando para comprar o sistema, barato e simpático. Já tinha a câmara e foi só comprar os comandos. Seguiu-se “The Shoot” onde comprei um acessório de pistola e mais recentemente “The Fight”, um jogo de porrada que dá algumas horas de suor e diversão, com um gajo pelo meio (sim o Mr. Machete) a chamar-nos “Cabrón”! Que dinheiro paga isto? lol…

Confesso que não comprei o Kinect. Primeiro porque não vejo a Oprah e não fui hipnotizado para o comprar, mas também porque tem um preço e umas limitações de espaço que não favorecem os Europeus. Mas, como eu sou um gajo porreiro, dei o benefício da dúvida e fui experimentar numa dessas muitas lojas nacionais com o coisinho do Kinect qual altar a reunir os fiéis e e infiéis sob a sua aura… roxa…

Antes de mais, dou os parabéns á Microsoft pelo hype e pela excelente manobra de marketing de terem só mandado vir 2 ou 3 kinects para depois falar em “ESGOTADO” mas inundar as lojas de bundles de Consola + Kinect para pressionar a compra da Xbox e não o acessório. Pessoalmente, porém, foi mais um factor dissuasor. Já tenho Xbox, não gosto da Slim e não vou comprar por impulso. Por isso, meti mãos à obra, saltei para um tapetinho branco todo giro e dei largas à imaginação…

Joguei um jogo de barcos… não me deu pica, limitamo-nos a dançar de um lado para o outro sem sentido… boring… Depois joguei um de desporto… além de me parecer haver um cadência enorme entre movimento, interpretação do Kinect e reprodução no jogo, é preciso movimentos exageradíssimos para aquilo responder. Cansa mais do que se pensa. Mais que andar ao pêro no Move. Os gráficos dos jogos todos que vi são paupérrimos e mais virados para a criançada. Pedi um jogo ou outro mais crescido e disseram que não tinham ainda nada. Pensei num equivalente de condução ou tiros, mas o Kinect não me parece suficientemente preciso para este tipo de jogos…

Depois vem a questão do espaço. Onde estava o tapete em relação ao aparelho, seguramente seriam uns 2,50 metros. A rapariga explicou-me que é a distância MÍNIMA para dois jogadores… sim leram bem, mínima. Duvido que 70% das casas dos Portugueses tenham esse espaço. Mas o pior é que são 2,50 metros de distância E 2,00 metros de LARGO… além disso, fundo o mais limpo possível. Kinect foi desenhado para um estúdio ou casa de Americano… Ok, pronto, essas são as dimensões para 2 jogadores, mas que piada dá jogar aquilo a solo? São jogos familiares, são para a criançada…

Depois é a questão do preço absurdo de 150€ por uma câmara enorme e feiota. Mas isso já depende dos bolsos de cada um.

Se fui céptico quanto ao Move por causa do controlo de movimentos, mas rendi-me completamente, não posso dizer o mesmo pelo Kinect. Move oferece uma panóplia de jogos para crianças, família, mas também para adultos com o “SOCOM Confrontation” a tomar partido da precisão do comando para os tiros e “Heavy Rain” com uma interessante e desafiante interacção.

No Kinect, gesticular para obter resultados faz-nos sentir estúpidos. Navegar nos menus da Xbox com aquilo, reconhecimento de voz e outras coisas giras, faz-nos entrar numa espécie de Minority Report e é muito porreiro, mas depois o que nós queremos é jogos e jogos não tem nada de jeito. Mesmo o que tem levanta sérias dúvidas na precisão e no valor em jogos complexos como FPS, Condução ou qualquer outra coisa com velocidade. Faz um bom trabalho de imersão, mas a falta de botões é algo que será difícil ultrapassar num Call of Duty ou num Halo…

O que me parece é que tanto com o Move como com o Kinect estão-se a separar os Hardcore Gamers dos Casual e Family Gamers. E o abismo torna-se enorme. Um pouco atenuado no caso do Move, mas mesmo assim, não me parecem tiros certeiros. Fico-me pelo Pad, para já, mas vou andar ao pêro de vez em quando só para descontrair… CHINGALE CABRÓN !

  1. psipunisher diz:

    “mais devagar”……mmm….xD

  2. enghedi diz:

    Intragável, só me lembro da rapariga a dizer “mais devagar” para não se perceber tanto o delay…

  3. Jeremias25 diz:

    Já experimentei o Move e pareceu-me bem melhor que o Wiimote. O Kinect ainda não tive oportunidade de experimentar, e embora esteja algo renitente quanto à sua qualidade, só poderei falar depois de o testar pessoalmente.