Esta não é uma lista copiada de um site desconhecido, não contém impressões de terceiros. O que segue é uma lista íntima com os dez títulos que me marcaram enquanto gamer e pessoa. Aproveitem para pensar no vosso próprio historial, um dos maiores prazeres da vida é partilhar.

Mass effect


Mass effect 2 melhorou a fórmula da série em todos os aspectos, acabando com os momentos irritantes em que tínhamos de nos livrar de cinco armaduras idênticas, muito por culpa do velho reflexo de carregar no x (quadrado para os fanboys) ao invés de confirmar o que vamos saquear.

A premissa de Mass Effect não é particularmente original: tomamos o papel do comandante Shepard, o qual é incumbido de salvar o universo de uma ameaça milenar. O que mais me impressionou foram as interacções entre as personagens, a forma credível como estas se exprimem e relacionam, assim como a nossa interacção com o universo. O ambiente sente-se vivo e dinâmico, sempre a mudar em função das nossas acções e escolhas.

As escolhas não se resumem à velha polaridade entre o bem e o mal, as escolhas são muitas vezes feitas em função da personalidade da personagem com quem estamos a lidar.

Mass Effect provou-me que os jogos não se resumem a texturas bem cuidadas ou a uma experiência cinemática: podem de facto constituir experiências completas.

Agora deixem-me a sós com a Liara…

Heavy Rain


Heavy Rain impressionou-me da mesma forma que o Mass Effect, no entanto apresenta-se num pólo oposto ao último.

Ao passo que Mass Effect é uma experiência avassaladora pelo universo que alberga, Heavy Rain prima pelas suas secções minuciosamente detalhadas e dirigidas. O anterior projecto da Quantic Dream, Farenheit, já se tinha aventurado nesse paradigma, mas só o Heavy Rain é que concretizou o potencial quase por completo.

Lembro-me que estava em época de exames quando pus as mãos neste título, mas durante as 8 horas de jogo não me preocupei com Geologia ou Química. Estava num estado de êxtase emocional, numa montanha russa de pensamentos.

Heavy Rain consegue atingir o estatuto dos melhores “Thrillers” da indústria cinematográfica, suplantando-se em todos os aspectos.

Metal Gear Solid 3


Normalmente, a minha linha cronológica enquanto gamer divide-se em duas fases: no período pré MGS 3 e no período pós MGS 3.

Fui atraído por um trailer em que um indivíduo semelhante ao Rambo comia cobras, pintava a cara para se esconder nos arbustos e sequências com grande intensidade. Ao invés de comprar um Far Cry na terceira pessoa, acabei com o jogo que provavelmente marcou mais a minha pré-adolescência.

MGS 3 foi o meu primeiro jogo da série, uma feliz coincidência, uma vez que conta os acontecimentos anteriores ao primeiro jogo da série (um prólogo).

O que mais espantou desde o primeiro instante foi a apresentação da história: a guerra não se apresenta como uma oportunidade de glória, mas sim como um sacrifício anunciado. O estatuto de herói não existe.

Além do enredo absolutamente estrondoso, acrescentam-se bosses memoráveis, jogabilidade complexa e original e um grafismo que ainda hoje me esboça um sorriso no rosto.

E a nostalgia começa a vir-me à cabeça… “Kill me snake”

Elder Scrolls IV: Oblivion


Oblivion foi provavelmente o meu primeiro RPG open world. Até então estava mais habituado a experiências lineares, onde tudo era “digerido” e apresentado.

Assim que saí das masmorras, local onde a nossa personagem estava aprisionada, bati com a cabeça num elemento raro: a desorientação. Havia tanto por explorar em Cyrodill, tanta informação, quests e escolhas que fiquei intimidado.

Não existiam setas de orientação, muito menos objectivos no topo do ecrã. O mundo estava à minha disposição e aliciava-me a explorar cada NPC ou habitação.

O combate corpo a corpo não é complexo e as mecânicas da magia podiam estar substancialmente mais desenvolvidas, mas só o impacto inicial valia os 60 euros gastos… Heavenly Sword, Resistance e Uncharted comeram pó na prateleira esse ano. Este título ficou na ps3 até ao lançamento do Call of duty.

Call Of duty 4: Modern Warfare


Call of duty 4 foi o meu primeiro jogo online. A inteligência artificial deu lugar à inteligência de outros jogadores humanos (ou à falta dela). Só por isso merecia destaque, mas o CoD 4 foi muito mais além. Adicionou o sistema de progressão, considerado hoje uma praga, um sistema de “pedra-papel-tesoura” que engloba perks, attachements e killstreaks. Ao contrário das suas sequelas, este conceito era equilibrado e viciante. A experiência não era estanque e depressa ficava dias inteiros em frente à televisão.

Daí passei a conhecer o conceito de comunidade virtual, vieram os PTR e actualmente os XPX. Este título é a célebre rapariga que nos tirou a virgindade: é inesquecível não só pela sensação, mas por tudo o que seguiu.

Fuck the haters

 

Halo 3


COD 4 foi um fenómeno… para quem não tinha uma Xbox 360. Quem era do exército da Microsoft (ao comprares uma consola prestas juramento de bandeira ao que parece), já tinha atingido o clímax uns meses atrás.

Para mim o clímax chegou no último ano. Mesmo 3 anos após o seu lançamento, Halo 3 é para mim a experiência online mais equilibrada, pura e simplesmente viciante de sempre.

Prima não só pelas mecânicas enraizadas na comunidade, mas pela variedade de playlists (queres jogar MLG? Snipers? Free-for-all? Que tal um jogo de CTF? Ok, vamos para uma playlist casual), pelo Theater mode (Black ops já vem tarde) e acima de tudo pelo amor da Bungie.

É um jogo para as massas Americanas? Nesse caso, tragam o Uncle Sam para Portugal!

Condemned: Criminal Origins


Andei muito tempo colado na série CSI, as técnicas forenses fascinavam-me. Em 2008 tomei conhecimento de um jogo que incorporava técnicas forenses num ambiente negro, visceral e perturbador. Afinal de contas, já tinham passado uns anos desde o último Silent Hill com qualidade assinalável. No entanto tinha um problema: não tinha Xbox 360.

Estava tão intrigado com o jogo ao ponto de oferecer o jogo a um colega meu para me enfiar lá em casa. Felizmente, Condemned não me desiludiu: tinha a oportunidade de explorar cenas de crime, espancar vagabundos com portas de cacifo e descobrir que raio se estava a passar com o Ethan Thomas, protagonista desta história perturbadora.

O ambiente é constantemente tenso, o enredo deixa-nos a coçar a cabeça e a jogabilidade é visceral. É seguramente a minha série favorita do género a seguir ao Silent Hill.

Agora se conseguisse descobrir porque é que este velho está estripado no chão…

Silent Hill 2


Este jogo contém provavelmente a cena mais perturbadora que vi num videojogo, e acreditem que já provei muita coisa do menu.

Desde a figura retorcida do Pyramid Head às criaturas que sugerem a frustração sexual do protagonista, Silent hill não é apenas o espaço onde se desenrola a acção: esta age como uma personagem por si só, um purgatório para os pecados cometidos por todas as personagens que caem neste inferno.

Em silent hill, nunca existem personagens imaculadas. E é precisamente isso que me atrai nesta série e nesta iteração em particular.

GTA IV


GTA III e o GTA: San Andreas foram fantásticos, estando no topo da lista de muita gente. No meu caso, sou forçado a colocar o GTA IV num patamar acima, não pela variedade de actividades que oferece (perde com o San Andreas em muitos aspectos), mas sim pela coesão da acção que oferece.

As personagens são mais fortes e acutilantes que nunca, desde o Brucie viciado em esteróides ao primo do Niko Bellic, aldrabão e inconsciente que cria um ilusão à volta do sonho Americano.

A isso acrescenta-se um grafismo sem precedentes para o tempo em que foi lançado, um modo online oportuno e divertido a espaços, assim como uma jogabilidade finalmente competente.

É finalmente possível jogar GTA por aquilo que realmente é, independente das actividades disparatadas que oferece. Temos actividades sociais à nossa disposição, uma cidade minuciosamente recriada e um enredo estimulante.

Além disso, podemos ver as animações das prostitutas em acção antes de as atropelarmos!

Metal Gear Solid 4


Muito bem… eu sei que já existe um Metal Gear Solid nesta lista, mas não posso escolher entre o MGS 3 e o MGS 4.

Se o MGS 3 apresenta as mecânicas mais variadas e originais da série, MGS 4 apresenta-se como uma carta de amor aos fãs. As pontas soltas são finalmente atadas, reencontramos personagens de longa data e assistimos impávidos à queda de um ícone.

MGS 4 é portanto um verdadeiro tributo aos fãs da série, um produto de alta qualidade com um valor inestimável. Oferece tanto conteúdo como qualidade e não poderia descrever cada momento de relevo neste título.

Não é um jogo perfeito, nem sequer o meu jogo favorito, mas o seu impacto é inegável.

Estas palavras são apenas fracções da minha experiência, dado tudo o que este meio já me ofereceu.

Não teci análises, apenas o que me agrada especificamente em cada um destes títulos. Eu sou um puzzle de milhões de peças e tenho a certeza que muitas delas estão aqui.

Game ON

 


  1. enghedi diz:

    Pá, oh rubéola… boa lista. Tens só aí dois ou três jogos que eu não concordo e acho que se é assim que te avalias, perdeste muita coisa boa.

    Metal Gear Solid – O original, o percussor, o gerador de paradigma, o criador de Cânone. Nenhum outro MGS teria existido se não fosse este tão bom. E era só VGA a 8 bits…

    Wolfenstein e Doom – Ok! Não são bem os mesmo jogos, um foi um marco, o primeiro FPS da estória, o outro pegou no conceito e mandou tudo para o inferno (literalmente). Mas as horas… as horas, meus senhores a jogar isto… Em vez de comer o pipi da menina…

    Quake – Joguei todos! Acabei todos e queria mais… Infelizmente lançaram uma porcaria chamada Quake Wars para chupar o tutano e lixaram tudo. É Doom Evolution 2.0 porque a estória é praticamente a mesma.

    Gran Turismo 3 e 4 – Infelizmente não cheguei a jogar os primeiros na PSOne mas joguei tanto o 3 que o disco deixou de ler e o 4 já tinha mais carros que o sultão do Brunei…

    Killzone – O Primeiro, o original, o visceral, brutal e inovador. Se fosse pneumática a PS2 devia largar vapor com este jogo. De vez em quando revisito-o, tão bom que é.

    SOCOM 1, 2 e 3 – Esquece lá o tretas do Confrontation, isso não é SOCOM, mais um marco da PS2.

    Knights of the Old Republic – Gostas de RPG? Se não jogaste KOTOR não jogaste nada.

    FarCry – Lindo.

    Crysis – Ainda mais lindo.

    ARMA 2 – Tão bom, mas tão bom que ainda hoje com Battlefields e Call of Duties ainda não vi nenhum melhor que este. Infelizmente nunca tive PC para o jogar como deve ser… :(

    Operation Flashpoint: Cold War Crisis – Hoje é um jogo de merda. Mas não te consigo contabilizar as inúmeras novidades e conceitos introduzidos que fizeram deste um jogo exemplar e que depois apenas e só o ARMA 2 conseguiu equivaler e ultrapassar.

    Battlefield 2 – Gostas do COD, não gostas deste… o que é pena…

    Jogos mais modernos, perguntas tu?

    Rapaz, meteste aí os Mass Effect, os MGS 3 e 4 e GTAIV que concordo contigo. Mas teria mais, NFS Shift e noutro patamar Racedriver GRID, os dois Uncharted que são geniais, os FIFAs, os Bad Company, tantos…

    Esta é só a minha opinião, claro… as opiniões são como as pilas, cada um tem a sua e só mete para fora se quiser…

  2. Nuno diz:

    Olá. Hei, a clan PTR de COD4 significa Portugal Radical?
    Abraços, continua ;)