Desde há muito tempo que o csi fez a sua estreia em Portugal e desde então conquistou milhares, senão milhões de espectadores. O que terá então o csi a haver com o condemned? Bem, substitui-se a cidade de Nova Iorque por uma cidade obscura, decadente e deprimente, os rostos simpáticos da equipa de investigação por um ex-investigador bêbedo e perseguido pelas suas próprias alucinações e os sofisticados equipamentos tecnológicos por objectos peculiares como tampos de sanita e próteses e, sem sombra de dúvida que teremos o retrato de Condemned: bloodshot, a segunda iteração desta série que fez a sua estreia na ps3.

A capa não está bem conseguida... será que este jogo fala sobre "glory holes"?

Enredo

O seu nome é Thomas, Ethan Thomas e será o protagonista no circo decadente em acabou por ficar preso. O jogo faz questão em mostrar-nos o estado decadente em que, à semelhança da cidade, Ethan se encontra. Não convém desvendar muito do enredo, mas convém dizer que o que leva Ethan Thomas a voltar ao activo é o misterioso desaparecimento de Malcolm Vanhorn, um amigo que, nos acontecimentos de Condemned: Criminal origins, foi uma peça fulcral na sua sobrevivência. O enredo como um todo, acaba por ser incoerente e por vezes confuso, mas não deixa de ser, ainda assim, fascinante e complexo, focando-se sobretudo no mundo distorcido do protagonista e nos acontecimentos e alucinações paranormais que o assaltam…

Ethan apresenta-se com um aspecto desgastado e moribundo na sequela

Jogabilidade

O cerne de qualquer jogo está, obviamente, na jogabilidade, e certamente condemned não desilude. O jogo, sendo na primeira pessoa, assenta numa mecânica focada no combate corpo-a-corpo. Os botões L1 e R1 desempenham a função de punho esquerdo e punho direito, respectivamente, e é a partir desta base que são possíveis as famosas combos ao estilo de fight night. No entanto, os principais atractivos do jogo são os imensos objectos que encontramos nos cenários: desde tampos de sanita a moletas, bolas de bilhar a portas de cacifos, tudo pode ser utilizado para a nossa sobrevivência.

A outra faceta do jogo envolve as investigações ao bom estilo “CSI”. Com recurso a variados “gadgets” como raios ultravioleta que nos permite identificar impressões digitais e um detector de som, somos muitas vezes colocados em situações que testam a nossa habilidade forense. As possibilidades são imensas visto que somos nós que exploramos as cenas do crime e recolhemos as pistas que achamos serem mais relevantes.

Problemas? As secções em que usamos armas de fogo não estão bem conseguidas, o que é estranho, visto que a “Monolith” (produtora do jogo) é também responsável por FEAR.

Som e Longevidade

No departamento do som, condemned é irrepreensível: desde o som ambiente ao som seco de um crânio a abrir, todos estes efeitos contribuem para criar uma atmosfera acutilante e pesada. Existe um ou outro bug que afecta a qualidade sonora, mas não é nada que afecte, nem de longe, a experiência.

Quanto à longevidade, a campanha dura entre as 10 e 12 horas, com vários incentivos à repetição: desde extras desbloqueáveis a um novo modo de jogo com munições infinitas. Existe ainda um outro modo de jogo denominado de “club bloodshot” que consiste num conjunto de arenas com desafios variados.

Nota ainda para as funcionalidades online, que apesar de completas e competentes, acabaram por ser esquecidas pelos jogadores (na altura havia apenas um servidor activo).

 

Considerações finais

O ambiente decadente e tenso, o combate visceral, o enredo profundo e as mecânicas de investigação interessantes tornam este jogo essencial para os fãs de survival horrors e jogos de acção em geral.

Já acabaram o Dead space 2 e querem algo mais psicológico e visceral? Condemned 2: Bloodshot é uma das respostas.

Negro, decadente, mas incoerente a espaços, Condemned 2 é um título que nos força a entender o seu design.