O que dizer sobre o Gran Turismo 5? Para quem não é adepto de videojogos de simulação automóvel, vulgo corridas de carros, e também para quem não é fã da Série Gran Turismo, é difícil fazer entender o nível de expectativas que os fãs criaram nos últimos 6 anos que o 5º episódio (não contando com os Prologues) demorou a ser produzido.

De facto Kazunori Yamauchi foi alimentando esse hype junto dos fãs, justificando os sucessivos atrasos com a dificuldade em colocar tudo o que ele queria dentro dos media disponíveis (DVD, HD-DVD e Blu-Ray) entre outras desculpas, com maior ou menor esfarrapice. O tempo foi passando e as informações que o Guru de GT fornecia, faziam antever um jogo sem paralelo no seu género com gráficos state of the art, com a perfeição do design dos automóveis a ser levado ao extremo com interiores iguais aos modelos que circulam nas estradas e pistas deste Mundo.

A aquisição de licenças da Nascar e WRC e parcerias com a Top Gear, faziam os fãs babarem-se pela chegada de GT5. O jogo teria tudo o que um adepto de corridas de automóveis podia desejar…

Deveríamos ter presente que não se deve esperar a perfeição por parte de nenhuma empresa ligada aos videojogos. As expectativas tendem a sair sempre defraudadas. E o produto da Polyphony Digital não foi excepção. Pelo menos para mim foi algo decepcionante. Sou um gamer exigente, não compro qualquer jogo, e os que compro gosto de ter a noção de que valeu o dinheiro que investi.

Gran Turismo 5 cumpre com uns 60% do que eu pretendia dele. Em termos gráficos é de realçar o detalhe dos carros… mas até aí temos problemas… só alguns deles, cerca de 200 e picos, é que são considerados Premium e mereceram interiores reais, os restantes 1000 são Standard e como tal são tratados um pouco como fihos bastardos… Pelo lado ainda mais negativo, temos as sombras no jogo… meu deus… são horríveis. Sei que muita gente dirá: “mas quem é que repara nas sombras?”, pois… eu reparo e são horríveis. O Público inerte nas bancadas parece estar a assistir a um funeral, oferecendo um ambiente frio às corridas, se bem que a maioria não ligue a esses pormenores… mas eu ligo.

A banda sonora é horrível, exceptuando duas ou três faixas, mas isso já depende do gosto musical de cada um, e temos sempre a opção de jogar com a nossa playlist de músicas que tenhamos no HDD da PS3, do mal o menos.

Mas deixando de lado as cocoquizes mais técnicas do jogo e passando para a mecânica do jogo que é onde residem os principais problemas de GT5, até porque não sou nenhum expert ou entendido em motores gráficos.

Li algures por aí, num fórum de uma comunidade mundial de Gran Turismo uma comparação entre GT5 e outros dois títulos de grande sucesso por todo o mundo, que no fundo resumem o que é Gran Turismo 5. Dizia esse Gamer que o jogo era nada mais nada menos que um “World of CarCraft” e/ou um “PokéMazdas: Gonna Catch’em All”.

A analogia com World of WarCraft é facilmente entendível por quem tem o jogo. Nos episódios anteriores, para se progredir na Carreira e detrancar as pistas era necessário tirar licenças de condução. No 5º capítulo da saga, optaram por outro sistema, em que é necessário amealhar XP (Experience Points) para se ir subindo de níveis, sendo que o nível mais alto é o nível 40 e que, segundo reza a lenda, uma vez atingido premiará o jogador com um sistema de danos realista, algo que os fãs de simuladores de corridas de automóveis tanto desejavam ver em Gran Turismo (I Know I Did!).

Até aqui tudo bem, parece fácil. Mas tal como em World of WarCraft… é lixado (com F maiúsculo) subir de nível. Para o fazer são necessárias horas e horas e mais horas de volta do jogo.

Mas isso não é bom? Não dá longevidade ao jogo?

Dar… dá, mas é uma longevidade forçada e sem qualidade. Seria uma boa e saudável longevidade se essas horas não fossem passadas a repetir as mesmas pistas, vezes e vezes sem conta para se poder subir um nível… Só um exemplo, para se passar do nível 31 para o nível 32 são necessários 1.000.000 Xp, a corrida que dá mais XP por minuto… oferece cerca de 9.000Xp. Façam vocês a conta ao número de vezes que têm de fazer a corrida, depois multipliquem por 5 minutos que é mais ou menos o tempo que levam a fazer a pista… e verão qual o tempo necessário para subirem 1 nível. Tenham em atenção que do nível 32 para o 33 não é 1 Milhão de XP que precisam… é mais. Moral da História tenho 30 pessoas na PSN friendlist com o jogo… e se 1 chegou ao nível 40 é muito,  olhem que todos têm dezenas de milhar de Km’s nos “dedos”. Eu pessoalmente prefiro sistema de XP  ao sistema de Licenças, o problema está  no valor baixo de XP que recebemos neste jogo por pista, que é ridículo comparado com o que é necessário para evoluir. Essa dificuldade não me estimula a querer jogar mais… até porque já fiz as pistas todas (excepto 5 ou 6 endurances de 9h e 24h), essa dificuldade funciona como factor dissuasor, tenho vontade de arrumar o jogo e só pegar nele daqui a um tempo (eventualmente).

Eles tentaram resolver este problema com o lançamento de Eventos Sazonais que davam facilmente aos gamers a oportunidade de em 5 corridas, semanalmente, amealharem cerca de 300.000XP e à volta de 3 Milhões de Créditos… mas isso, ao que parece e até indicação em contrário, durou apenas 6 semanas, e se por um lado ajudou quem estava a começar a carreira em GT5 a subir rapidamente os níveis iniciais, a sua não continuação (esperemos que volte rapidamente…) poderá fazer morrer o jogo. Eu não vou fazer 300 vezes a pista de Indianápolis para subir de níveis e destrancar as últimas Corridas de Endurance…

Não sou louco nem quero ficar louco.

A outra analogia que vi foi com o mundo animado dos Pokémons e de facto é engraçada e faz sentido. Os produtores do jogo orgulham-se de o jogo ter mais de 1000 carros… e findadas as provas e eventos disponíveis, acabamos por ter apenas um único grande objectivo… tentar juntar os carros todos. Mas Polyphony, Polyphony…

One car with ten regionalised names is still only one car

é verdade pá! A quantidade de Mazdas MX-5 que já vi no jogo… ou Rx-7… que são modelos do mesmo ano com o mesmo aspecto, praticamente as mesmas specs… mas com um nome diferente porque são versões Japonesas ou Americanas Europeias… O tempo que perderam a fazer um carro para cada país onde este saiu… só porque têm nomes com variantes, mais valia terem empregue em concertar/afinar as falhas do jogo.

Neste momento não jogo GT5. Ou melhor, meto o “Bob” a jogar no modo B-SPEC, enquanto eu vou vendo televisão ou lendo um livro… ou jogando CityVille… E jogo B-SPEC apenas para conseguir ganhar um carro que existe no jogo. Depois faço umas voltinhas com ele… e GT5 para dentro da gaveta. A não ser que… a Polyphony Digital, também conhecida como Postponed & Delayed lance algum patch ou até mesmo DLC que revigore verdadeiramente o jogo. Porque como o jogo está é uma simples caderneta de cromos digital… tenho 300 cromos já comprados e para além da colecção propriamente dita, não tenho grande vontade de andar a fazer as mesmas “Quests” vezes e vezes sem conta para “Upar” a minha carreira…

O jogo tem ainda outros problemas, nomeadamente o facto de não se poder gravar e sair a meio de provas, o que dava jeito em provas de Endurance que duram 4, 5, 9 ou 24h… Ou não poder gravar um campeonato a meio… sendo obrigado a fazer 5 provas seguidas de 20 voltas cada… mas pronto, são tantos problemazinhas juntos que precisava de mais 345.490 linhas para os expor todos…

Fico contente por não ter dado 70 Euros pelo jogo e ter esperado 3 semanas por uma versão em 2ª mão… Algo me dizia que me poderia arrepender: Obrigado bacano que se veste de branquinho e que vive na minha cabeça e que me costuma dar conselhos… fiz bem em ouvir-te desta vez… Ando zangado com o bacaninho que se veste de vermelho… da última vez que lhe dei ouvidos comprei o Call of Duty : Black Ops para a PS3…

  1. psipunisher diz:

    O jogo das montras…….desisti no GT4……….muito hype……..tal vez com patchs ele venha a ser algo…….

  2. sidsidsid diz:

    isso é o mais importante: o divertimento.

    se a longevidade é assassinada logo ali, pouco há a fazer.
    no brain no pain

  3. Jeremias25 diz:

    @Sid

    Com o artigo não quero dizer que não me diverti com o jogo. Diverti-me imenso aliás… Mas… só até ao ponto de acabar as pistas disponíveis e ter de começar a fazer maratonas repetitivas para destrancar as restantes poucas pistas que nem se quer penso fazer sem que a PD lance um Patch que permita gravar Endurances a meio para depois continuar…

    O jogo diverte até se esgotar… o problema é que se esgota facilmente.

    A questão que dizes dos carros fotografias… ok, eu percebo o que queres dizer, mas digo-te que muitos dos carros, com afinações porreiras, dão um gozo imenso a conduzir, muitos não sabem ou não querem saber disso e acham que os carros são tijolos em HD…não viram, ou fogem em demasia…

    O Grid (que adoro), os Dirts, os NFS dão outro tipo de adrenalina é verdade, o seu estilo mais arcade dão outro tipo de entretenimento. No GT5 podes meter em alguns casos um carro com mais 400cvs que os adversários e mesmo não virando… ganhas com voltas de avanço. Mas tens a opção “moral” de escolher um carro equilibrado com a concorrência, e com as afinações correctas teres uma corrida também cheia de adrenalina. Mais uma vez, são jogos diferentes, são de corridas de automóveis, mas com estilos diferentes, e como é obvio não agradam a toda a gente.

    O meu ódio para com o jogo é perante a pouca longevidade dele e sistema de evolução de carreira e rewards. Está bem pensado, mas mal construído. Pensaram que daria longevidade ao jogo mas esqueceram-se que iria saturar os comuns mortais… Pelo menos falo por mim…

  4. sidsidsid diz:

    hahahhaha

    para lá dessa grande treta de fazer 10000h de jogo a repetir as mesmas (e poucas e limitadas) pistas, há um problema maior (sim ODEIO este jogo):

    GT é o jogo do carro “fotografia” em movimento. É que nem aquece nem arrefece. Os grandes jogadores de carros (versão jogos de consola) não jogam GT, conheço pessoalmente um, e depois é ler as histórias e feedbacks por esse mundo fora.

    E como anti-fanboy da polyfona, só tenho a dizer: BLUF! O GT É BLUF! Não presta, nem vale metade do hype que “venderam” durante anos.

    Claro que quem só tem a PS3 e vive de amores pela consola-bug, tem o F1, o Grid, o Grid2, o Mcrae não sei quê.