Medal of Honor – EA dá tiro ao lado

Posted: 28th Outubro 2010 by enghedi in Opinião
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Há uns anitos valentes, um grupo de amotinados resolveu meter a Electronic Arts num chinelo e partiu para outros horizontes (leia-se Infinity Ward) para criar um tal de Call of Duty… Por causa disso, o conhecido e até então líder dos First Person Shooters Medal of Honor ficou literalmente no lodo. Parecia que depois do tumulto criado pela quase extinção da mesma Infinity Ward, havia por aí um vazio para preencher. Eis que a Electronic Arts e os seus dólares arranjam uma nova empresa, a Danger Close e puxam a DICE fora de Battlefield para recriar Medal of Honor, nesta altura para lá das cinzas, já era mesmo um túmulo. Mas vale a pena ressuscitar este zombie?

A premissa era simples. Medal of Honor estava de volta, moderno, com imensa vontade de se vingar de Call of Duty. Adeus Segunda Guerra Mundial, olá guerra moderna, um claro piscar de olhos a Modern Warfare. Em seu benefício estaria a experiência e ajuda técnica dos profissionais que actualmente compõem as equipas AFO (Advanced Force Operations) e que são intitulados de Tier 1. Navy Seals, Delta Force, Spec Ops, todos militares de elite que participam no terreno inimigo em operações clandestinas que indirectamente resolvem guerras inteiras.

Só que… a fasquia era alta. Não só pelo próprio Call of Duty que definiu com Modern Warfare e Modern Warfare 2, mas também pela tecnologia moderna implementada nos videojogos com pérolas deslumbrantes como Crysis ou Killzone. Ainda por cima com a plataforma de desenvolvimento Playstation 3, os fãs queriam muito e a eles foi-lhes dada muita expectativa. O hype foi tanto que dias antes, MoH bateu o recorde de pré-encomendas, tornado-se um dos jogos mais pré-encomendados da EA e deste ano.

O dia do lançamento foi naturalmente antecedido em 3 dias nos Estados Unidos em relação aqui ao nosso rectângulo europeu. E as primeiras reacções foram intensamente negativas. Não só a campanha era curta, como estava repleta de bugs e erros, a plataforma de desenvolvimento (PS3) era a pior de todas e o online possuía constantes erros. Como os americães exageram em tudo, mantivemos o espírito aberto para o dia do lançamento na Europa, ainda para mais porque por cá tínhamos direito a uma edição exclusiva Europeia, a Tier 1 que além de duas caçadeiras e a MP7 da Edição Especial, ainda traziam as metralhadoras pesadas M60 e PKM e duas skins Tier 1 para o nosso jogador. Nestas duas edições há ainda o acesso à beta de Battlefield 3 no ano que vem. Tudo isto ao mesmo preço da edição regular… nada mau… Mas além disso na PS3 todas as edições continham o nostálgico primeiro jogo em consola desta série, Medal of Honor Frontline. Um clássico simpático e uma oferta bem vinda aos fãs da consola Sony.

Estava tudo pronto para pegar no jogo e gostar… certo?

Não consigo dizer que não gosto do jogo, mas posso dizer que em menos de 5 horas acabei a campanha em Hard, em dois dias acabei as missões Tier 1 (um conjunto de missões de campanha que devem ser cumpridas abaixo de um determinado tempo) e no online bastaram-me duas horas para me fartar. Pelo meio, bugs, erros, breaks, falhas de jogabilidade e de ritmo, digamos que o hype é o culpado pela expectativa enorme que depois causa a queda ainda mais acentuada na minha consideração.

Vou fazer platina e vou meter o jogo de lado. Não volto a ele tão depressa, ainda por cima com COD: Black Ops já aí. A tentativa de matar o COD saiu falhada de forma absurda para a EA. Tem em mãos um jogo que tinha tudo para ser bom, mas a Danger Close precisa aprender a fazer uma boa, rica e longa campanha, ou se calhar não teve tempo para isso. A DICE fez um modo online absurdamente inferior a Battlefield, demasiado tentador em comparação indirecta com Call of Duty mas nunca chega lá.

Pelas tentativas falhadas de chegar a outro jogo, acabam por arruinar MoH e pela falta de escutarem os jogadores, típico da DICE, os problemas do online não merecem patch. Não há perspectiva de MoH sequer chegar perto de ameaçar Black Ops porque nesse dia prevejo muita gente a vender o jogo nalguma Game para descontar no novo Call of Duty.

É triste, porque o potencial está lá todo, mas Medal of Honor é um fracasso enorme da EA. Mesmo quem gosta de o jogar não consegue dizer que o faz esquecer COD. Infelizmente Call of Duty é um jogo absurdo, com uma legião enorme de anti-fãs por estas alturas. Se Black Ops não vingar, no entanto, não será Medal of Honor a substituí-lo na liderança.

  1. passenger9 diz:

    O que me surpreendeu foi modo campaign…muito mau…. o IA dos inimigos é tão fraco que até a minha de filha de 5 anos conseguia terminar o jogo em modo hard. O modo online, gosto da sonoridade, igual ao BFC2 (quem tiver uns Tritton Axpro ou Astro 40, deve ser fantástico)….mas tenho a certeza que o vou encostar quando sair o black ops.

  2. SIDSIDSID diz:

    O efeito Wii nos jogos FPS.
    Banais, cópias de cópias, inovação=zero. Mas entretanto vendem um milhão. Next. Para o ano há mais.

  3. Vitominado diz:

    Não podia concordar mais… Ainda bem que nao tive de o comprar para me aperceber de quao mao era o jogo! Joguei a beta e saquei para o PC o modo singleplayer e vi logo o filme todo! Dos piores titulos que tive entre maos desde à muito!

    O lendarios Battlefield 1942 e Battlefield 2 da produtora DICE dão rape neste jogo e de que forma! Parece que retrocederam em vez de evoluirem

  4. psipunisher diz:

    Tenho o jogo (vale dizer…..emprestado)……. joguei uma hora do modo campanha…… e outra do online………parece um BFBC2 mal feito……… e nos modos que joguei….os mapas estão mal feitos………onde o camper anda livre e feliz……. por vezes nalguns objectivos…..não existe maneira de flanquear……..ate agora não encontro…bombas de fumo, flahs ou stuns grenades……

    Desilusão……..

    Told ya bro!

  5. Iceburn91 diz:

    Jer agora da minha opinião como Game Designer o modo de apresentar os controlos do killzone 2 é um bocado fail do meu ponto de vista porque um game designer tenta sempre simplificar as coisas, e de um modo geral o jogo não teve tanto sucesso devido aos controladores. O que torna um jogo bom é a facilidade de jogar, tens o exemplo como o tetris que é um jogo desafiante intemporal que tem a sua complexidade.
    Não sei se me fiz compreender, não estou aqui a comparar géneros, mas na verdade em termos de design dos controladores do killzone 2.
    No meu ponto de vista muitos hardcore gamers vêem este controladores mal feitos como um pretexto para dizer que sim que eram bons e são feitos para os melhores com mais skill bla bla… mas na verdade é um engano e a verdade está no numero de vendas e de durabilidade do jogo.
    Sem duvida que a meu ver o killzone 2 é um dos fps com melhor game development mas os controladores fizeram com que as pessoas esquecessem o jogo.
    Espero para ver o killzone 3.

  6. Jeremias25 diz:

    @Dionisio

    Compreendo o que dizes, voltando ao Killzone2 confesso que a jogabilidade não era fácil, o que fez muitos desistirem rapidamente do jogo e que fez a Guerrilla Games lançar patchs de “facilitação” para reconquistar esses desistentes… Mas para muitos, onde eu me incluo, essa jogabilidade dificil era um desafio aliciante. Posso-te dizer que a forma como se disparava a M82 me ajudou a melhor consideravelmente a forma como no COD uso uma arma de Bursts (Famas ou M16…).

  7. enghedi diz:

    Felizmente o jogo está melhor que a Beta… fogo… também não exageremos. Aqui a questão prende-se apenas que como anti-COD falha. Como jogo “per si” até é porreiro, mas os bugs enfadam… muito… é de meter de lado…

  8. DIONISIOjp diz:

    5 minutos de beta para mim chegaram para perceber que seria flop…

    o mais ridículo é que de facto está tudo com grande vontade de encontrar alternativa viável aos COD e não há meio de acontecer, dai os hype’s exagerados a tudo o que aparece à frente…

    mais estranho ainda pq acho que a fórmula de sucesso é basicamente serem “arcade” e fáceis de jogar logo viciantes, tudo o resto é giro e tal mas acessório. Ora, imitando apenas estas 2 características e tudo o resto diferente não faria facilmente algo original e de qualidade? – KZ2 com toda a sua qualidade não peca por isso mesmo, por faltar ali uma pitada de jogabilidade? (para mim e mts outros noobs como eu sim…)

  9. Jeremias25 diz:

    Na minha modesta opinião as empresas só têm a ganhar em apostar na inovação, em fazer/produzir algo novo, diferente. Só perdem quando tentam fazer algo parecido com o que existe e tem sucesso. É o que acontece em jogos que procuram aproximarem-se ao franchise COD. Normalmente a aproximação é mal feita e depois em comparação directa com o COD, ficam sempre a perder.

    Prefiro de longe jogar algo que seja diferente e que me marque por essa diferença. Um exemplo claro disso foi o Killzone2 (apesar dos patches que sairam entretanto). O Killzone 3 é um caso de Clara tentativa de CODização aguda!… Pelo menos a julgar pela Closed Beta colocada ao dispor. A Guerrilla Games está, no meu entender, a correr um risco demasiado elevado ao tentar fazê-lo…

    @iceburn
    Não fui eu que escrevi o artigo, foi o enghedi (debaixo do título tem o nome do autor).

  10. Iceburn91 diz:

    Jer o que estas a assistir hj em dia é o que se passou em 1983 ou seja a meu ver o mercado esta a começar a encher o saco com jogos de baixa qualidade, pois as empresas preocupam se mais com a aquisição de licenças do que com a qualidade dos jogos.

  11. cesarcsrf diz:

    É um daqueles jogos.. quassse bons

    quase.