Crianças ao Poder

Posted: 29th Outubro 2010 by enghedi in Gamertalk
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Ui… que tema tenebroso… A criançada no online está a dar cabo do que levou anos a construir. Eu não sou absolutamente contra os mais jovens que jogam online. Absolutamente a favor, pelo contrário. Mas o que fazem putos de 14 e 16 anos a jogar um jogo como Modern Warfare 2 que é para maiores de 18 anos? Para que serve o controlo parental? Pelos vistos, são uns números na caixa do jogo… só…

Clãs, equipas, blogues, sites, fóruns… A criançada experimenta de tudo, sem grande dose de sucesso, mas creio que nem é esse o seu objectivo. Na verdade, tudo não passa de um grande parque infantil de miudagem que usa a sua consola oferecida pelos pais para extravasar e dar cabo do que levou alguns anitos a tornar possível.

A criançada no online é uma realidade ainda maior no mundo das consolas. Nos primórdios do jogo online no PC, sempre houve miudagem, claro, mas realmente havia um respeito pelos fundadores de clãs, havia nome a ser construído. Vi muitos miúdos e mesmo crianças a evoluir para se tornarem pessoas distintas no online. Não é preciso grande dose de maturidade para jogar online, convenhamos. Mas é importante perceber que há certas atitudes que nem todos os miudos de 12 e 14 anos conseguem dominar de forma tão precoce. A seriedade, a honestidade, o respeito, só para enumerar algumas das coisas mais em falta, são raros nesta faixa etária.

Clãs vêm e vão, equipas vêm e vão. Quem ficam são sempre os mesmos. Os desajustados, os erráticos, os inadaptados. Nunca percebem mesmo a essência de um clã, não sabem viver regrados porque acham que já bastam as regras do dia a dia. Invadem a GB com clones, insultam nos lobbies e fóruns como se fossem esses os locais correctos para espalhar testosterona em excesso.

Depois há um sub-produto corrosivo que é o desejo de poder. Há qualquer coisa de místico em ser líder de um grupo de outras pessoas de QI equivalente. Não sei bem explicar o que vai na mente dos miúdos, mas dá para perceber uma certa dose de frustração pessoal na vida privada que tem de ser exorcizada na vida online. Porque são paus mandados na sua vida pessoal, na suas relações parentais, como levam na boca na escola, vêm para o online em busca de uma forma de controlar os demais. Em vez de um clã, na nova vida paralela, são autênticos Rambos idolatráveis, Robocops à prova de bala e exigem uma idolatria que se não for dada… fazem birra…

Só posso sentir pena por estes miúdos, mas não compreensão. Com a idade deles, eu fazia parte de um clã onde baixava a cabeça, aprendia, levava nas orelhas, era elogiado, era motivado. Hoje em dia, os miúdos não querem nada disso… Querem diversão fácil, querem boosting, querem telenovelas de fórum, querem ter o direito de fazer as regras que eles querem… mas esquecem-se que no seu meio estão outras crianças com os mesmos desejos.

Como diz um grande amigo meu: “pau que nasce torto, mija fora da bacia”… Grande verdade. Se vocês, miúdos, nunca aprenderem com os que vocês chamam de “velhadas” ou “velha guarda” ou lá o que gostam de chamar, nunca vão saber o que é um clã. Nunca vão saber como é jogar em equipa online tão facilmente como passam serões a beber um copo com a malta.

Não sabem o que é interacção pessoal, não percebem como há clãs que existem há ANOS e que até já criaram famílias. Não percebem a irmandade, não percebem as horas perdidas a fazer batalhas online contra clãs nos Estados Unidos com Lag de bradar aos céus. Não percebem a quantidade de cedências pessoais para criar um fórum ou um site. Não percebem o grau de união que se cria, talvez apenas equivalente aos laços de amizade que se criam em unidades militares. Nunca chegam a um ponto onde conhecem tão bem online como offline os vossos amigos. Não vão nunca chegar ao ponto de confiar que do outro lado estará sempre o vosso companheiro a proteger o vosso avanço. Não vão nunca sentir que um flanco depende de vocês para que a estratégia funcione… Tudo porque no dia que desembrulharam a vossa consola, tudo isto vos era indiferente, um clã era apenas um grupo de gajos para jogar online e como não deviam nada a ninguém, acharam que podiam entrar por aí a dentro sem regras…

Este é o fruto da permissividade…

Não vos compreendo, miúdos. Porque é que há este desrespeito todo pelos que fundaram a base para o online gaming actual? Não houvessem estes “velhos do Restelo” vocês não tinham estrutura para os jogos actuais. Os jogos competitivos em equipa só existem pela noção que algures alguém formou um grupo de gajos para jogar em conjunto, com regras e ideias que só podiam existir caso houvesse coesão e unidade. Mas vocês estão cá para o rank, estão cá para a brincadeira… Não precisam de clãs para nada, não precisam de GameBattles para nada, mas no entanto estão lá e enquanto estiverem, descredibilizam tudo o que eu e muitos outros pensávamos que iam dar valor.

Não me considero fundador da actual comunidade Gamer, mas aprendi com muitos deles. Não podem vocês aprender também a não cuspir neste prato? Não podem vocês deixar os motins em clãs, os clones de equipas e os exploits? Deixem-se de birras e cooperem. Deixem a ambição para os objectivos de cada jogo. Deixem os experientes liderar os inexperientes e não o contrário. Se levarem isto um bocadinho mais a sério, vão ver que afinal ter um clã não é só jogar uns joguitos de rank ou inflamar um fórum.

  1. sidsidsidsid diz:

    Pessoas que destilam ódio nos fóruns/blogs/ula-ula´s, são engraçadas, fúteis mas engraçadas. É a contemplá-las que o pessoal se ri. É de certo modo, um avivar de energias, o fluxo dá-se, e dinamiza-se… esse espaço virtual. Todos ganham no processo. A vida virtual dos pousos de comunicação assíncrona seriam uma seca sem a personificação dos estereótipos. Eles andam aí! Estão em todo o lado. O marreco anónimo super homem. E afinal é um miúdo de 5 anos, que aprendeu a fazer copy-paste do wikipedia, ou tantos outros casos. O mundo virtual das plataformas de comunicação, gere-se por implicações duma moderação q.b. que dê espaço para a participação de todos (boa ou má) ou gere-se por mão de ferro. Picardias que não levam a nada, não merecem argumentação, para quê? Só por prazer masoquista de boxeur, e spam puro e duro. Por vezes, via Trolls que destilam ódio, aprende-se/ensina-se muito, percebendo um mau exemplo é meio caminho andado para “fazer bem as coisas”. Este abrir de olhos, é de todo pedagógico. E assim vejo com bons olhos esta existência parasita nos onlines, sempre e quando se estabeleçam limites. São ou poderão ser fanboys, líricos da pala dos burros e anestesiados de consciência verdadeira… mais uma vez… na internet os biceps contam-se pelo número de posts, ou pelo número de flamming. Ousados ein?!
    Jogos, clãs, consolas… putos… jovens pré-adolescentes e adolescentes vêm (com todo o direito do mundo) expor a sua verborreia: vale o que vale. Mas diverte.
    Se é fundamentada, até pode ser, mas não costuma. Se é sentida e apaixonada, acredito piamente que sim, afinal o puto vive de hypes, modas, e hormonas aos saltos. Há que dar espaço de margem para todos. Não se pode é cair no erro de deixar sempre os mesmos exemplos negativos pisarem/taparem quem está a começar.

    Os putos na sua maioria confundem uma boa discussão de fórum com um eminente e obrigatório ódio, exactamente por não aceitarem/investirem tempo numa argumentação alheia. Há putos e putos, e também os há, que procuram apenas perseguir, enxovalhar, implicar, assim de forma processual, odiar porque sim, e replicam-se em clubismos. Querem atenção, e a cada experiência nova, definem um bocadinho do seu carácter ainda não formado. E os clãs de consola, são um conceito vazio de linhas sérias, o preconceito é incomodativo, mas está instalado: “jogar consola é coisa de putos”. É mais um sítio onde os adolescentes aprendem a ser homenzinhos. Aprendem? 1 em 100. Há excepções, mas para 100 marmelos parvos, um safa-se, evolui. Os outros continuaram a chingar, como pintos com fome… BARULHEIRA!

    E jogos é isto: paixões, rituais, códigos de grupo e MODAS absorvidas, ao pontapé. Porquê? A mais singela resposta, com nexo ou sem nexo serve. É tudo, costuma ser. Putos de consola. Não entendem eles que falar abertamente DO TODO das coisas é natural e saudável. Obviamente que não, senão não eram putos. Mas há putos e putos. A precocidade na maturidade, a educação, o entorno social… enfim há diferenças claras. O mundo é de todos, passa por aí, aprender com ele, com os bons e maus exemplos.

    O futuro é dos jovens, mas há jovens e jovens.

    Quem está mal muda-se? Ou deixa andar e despreza?

  2. Jeremias25 diz:

    Os videojogos serão sempre vistos, por uma esmagadora percentagem da sociedade, como um entretenimento. Como tal, mas não só por isso, será sempre associado a uma camada mais jovem da sociedade. Por conseguinte, sempre existirão crianças a jogar videojogos, quer offline, quer online. A questão das classificações etárias dos jogos… isso é um problema sem resolução à vista. A partir do momento que vejo miúdos da preparatória a comprar vodka no lidl… ou tabaco no quiosque da esquina, não fico escandalizado que as mesmas crianças tenham acesso a jogos “violentos” para maiores de 16/18 anos. É uma questão de consciencialização da sociedade que é difícil de fazer.

    A questão que se prende com o “brincar aos clãs” é outra história. Ter um clã é fixe no online. Ser líder de um clã é ainda mais fixe no online. Enche o ego ao jogador. O jogador sente-se importante, melhor que o jogador vizinho que não tem clã ou é um subordinado num clã xpto. A falta de consciencialização das crianças para as responsabilidades de estar num clã, valores como fidelidade, confiança, respeito, espírito de equipa, solidariedade com os colegas e comunidade, resultam na efemeridade dos ditos Clãs. Resultam nos atritos constantes entre clãs. Resultam numa imagem que é passada ao resto da comunidade do que representa um Clã. Um Clã deve ser visto como algo mais que um conjunto de miúdos histéricos, mal educados, que anda a espalhar a “batotice” (seja por clonning ou outro atalho qualquer) pelos onlines, sobretudo no online competitivo (exemplo claro da Gamebattles).

    Existem outros, menos jovens que também encaram os Clãs de uma forma diferente, alguns ávidos de poder fazem de tudo para chegar a uma posição de liderança, sem reunir se quer o mínimo de capacidade para tal. Algumas dessas características de liderança são inatas, não se aprendem, nascem com a pessoa, outras características sim podem ser apreendidas, mas não o são na maioria das vezes, pela maioria dos jogadores. Depois vemos clãs que começam… discutem… zangam-se… saiem elementos… acabam, formam outro clã… discutem… zangam-se… saiem elementos… acabam.

    Compete, no meu entender, aos mais maduros na vivência de Clãs, partilhar as suas experiências e conhecimentos sobre o que é um Clã aos mais “verdes”, fazendo uma contaminação positiva de valores como o respeito, camaradagem, honestidade, etc… Mas compete aos mais “verdes” ter a humildade suficiente para verem esses ensinamentos como algo bom que devem aproveitar, e não como um acto de sobranceria da parte dos “mais velhos que têm a mania que sabem mais que os outros.

  3. Iceburn91 diz:

    Ta tudo escrito na primeira parte do texto.
    Muito provavelmente esses miúdos ainda não adquiriram algumas lições de vida.

    “Mas o que fazem putos de 14 e 16 anos a jogar um jogo como Modern Warfare 2 que é para maiores de 18 anos?”

    As lojas, pessoas da loja, e pais é que são os principais responsáveis.
    Existe alguma solução?
    Eu acho que já não tem solução, mas podemos sempre tentar.