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Discworld

Os nossos leitores mais atentos certamente repararam na ausência de sinais de vida por parte de um dos membros do blog que por motivos de ordem académica, pessoal e monetária que o leva a tudo menos a vender o corpo (não por falta de necessidade mas sim por falta de mercado que o aceite certamente), não tem tido tempo para colocar conteúdo novo.

Ora para inverter essa situação mostro-vos agora uma análise a um dos jogos mais underrated de sempre, em toda a sua glória da era dos point-and-click, Discworld.

Imagino o que muitos de vocês estarão a pensar, que raio é o Discworld? E que raio de imagem é essa ai em cima? Provavelmente estarão perante um misto de confusão e risada, ora é exactamente isso o que a já longa e bem sucedida (principalmente no Reino Unido) saga representa.

O universo alternativo de Discworld nasceu da mente fabulosa e creativa de Terry Pratchett, um escritor de contos, sobretudo de fantasia, sempre aplicando um toque do seu humor característico pautado pelo nonsense e falas magníficas das personagens que são muitas vezes caricaturas de estereótipos deste tipo de contos, como por exemplo Rincewind o pseudo-mágico que é a antítese de herói, uma espécie de harry potter trapalhão e com um QI extremamente reduzido ou mesmo Cohen o Bárbaro cuja referência é óbvia. O primeiro livro da série foi The Colour of Magic, lançado em 1983, que foi um sucesso imediato e lançou Discworld e Terry Pratchett para o estralato, tendo até sido tornada série de tv. Este primeiro livro, que até teve direito a uma sequela directa, The Light Fantastic, introduziu como personagem central o incompetente mágico Rincewind e o seu pouco fiel e perigoso companheiro, uma mala carnívora sem fundo que usa como método de locomoção as suas pequenas e inúmeras pernas. Para terem uma ideia do sucesso que Terry Pratchett alcançou, este apesar de ser relativamente desconhecido no nosso país tal como o seu universo Discworld, é actualmente o 2º autor mais lido no Reino Unido e o 7º não americano mais lido nos Estados Unidos.

Dado o sucesso dos livros, naturalmente que a passagem para o mundo virtual seria uma questão de tempo, como é costume no frenesim do ciclo livros-cinema-videojogos. The Colour of Magic foi lançado em 1986 para o (glorioso) ZX Spectrum como uma aventura baseada em introdução de comandos de texto e em 1995 saiu o jogo que definitivamente ajudou a divulgar ainda mais a série além fronteiras, Discworld lançado para PC, PSX e Sega Saturn, que para além dos diálogos e situações cómicas em que nos vemos inseridos, contam com a participação de Eric Idle (sim leram bem um dos Monty Python) e Tony Robinson, famoso pela sua participação na aclamada série britânica de humor Blackadder. Decerto que estarão neste momento com água na boca e sobretudo se, tal como eu, são grandes fãs do humor britânico.

História

Quanto ao jogo, a história passa-se entre os livros Guards!Guards! e Moving Pictures, no mundo de Discworld, que tal como o próprio nome indica tem a forma de um disco, assente sobre quatro elefantes que por sua vez viajam pelo universo em cima de uma tartaruga, a Great A’Tuin, sem destino aparente. Um dragão foi chamado por um culto desconhecido, aterrorizando assim a – já pouco pacata – cidade de Ankh-Morpork, a maior de Discworld, cabe ndo assim à Unseen University, a escola formadora de mágicos, destacar um herói para derrotar este dragão. O reitor da Universidade, deparado com esta ameaça aparentemente irreversível, destaca o feiticeiro mais inútil e perfeitamente dispensável para acalmar o povo, Rincewind, a personagem principal deste jogo. Sem saída desta situação, Rincewind tem então como tarefa matar o dragão, no entanto a única arma de que dispões é a sua cobardice. Cabe assim ao jogador passar por uma série de situações hilariantes e caricatas, como o encontro sucessivo com a MORTE (cujas falas aparecem sempre em letras capitais), em que nem esta está muito desejosa em perder tempo a levar a nossa personagem consigo para o cemitério das almas.

Sistema de Jogo

Nada de novo neste campo, sendo que este género de jogo é o mesmo em todos, o rato é o tool of the trade usado para navegar a nossa personagem, coleccionar itens, aceder ao inventário e interagir com objectos e outras personagens. De realçar no entanto, que embora jogar Discworld seja sem dúvida uma experiência única, não deixará de ser frustrante dada a sua enorme dificuldade devido às soluções impensáveis para os enigmas com que nos deparamos, não fosse este jogo o rei do nonsense.

Gráficos/Som

Tanto o som como o aspecto visual do jogo são fenomenais e que irão sem dúvida ajudar a amortecer a raiva acumulada com a frustração em não conseguirem resolver os puzzles. Discworld usa sprites animados que correm em belos fundos desenhados à mão que são uma reprodução fiel do ambiente caótico de Ankh-Morpork. A animação das personagens é também muito detalhada e ajuda a dar-lhes vida, realçando-se sobretudo a excelente voz dos artistas presentes neste jogo, principalmente de Eric Idle que dá a voz a Rincewind e de Tony Robinson que faz inúmeras personagens.

Veredicto

Discworld foi o primeiro point-and-click que joguei e me fez apaixonar pelo género, mas gosto pessoal à parte, é um excelente jogo quer sejam ou não fãs deste tipo de jogos ou do excelente humor britânico, que aliado a um conjunto de personagens e diálogos hilariantes vai-vos trazer sem dúvida lágrimas aos olhos de tanto rir, devido sobretudo às excelentes actuações dos artistas que dão voz ao jogo. No entanto, preparem-se bem pois o jogo é extremamente difícil, mas já sabem o gamefaqs é vosso amigo! Recomendo-vos fortemente tanto o jogo como os livros, dos quais sou também fã (graças ao jogo), se quiserem iniciar-se na série, podem encontrar os livros na fnac ou na amazon, mas leiam-nos em inglês para que possam desfrutar das piadas ao máximo, pois muito se perde na tradução. Outro à parte, fujam da versão da PSX, pois tive oportunidade de jogá-la e os tempos de loading são terríveis, por outro lado a Saturn é mais rápida, mas mesmo assim que saudades tenho dos cartuchos…

HISTÓRIA: 20/20

SISTEMA DE JOGO: 17/20

GRÁFICOS: 19/20

SOM: 20/20

NOTA FINAL: 19/20

Fantasy isn’t just about wizards and silly wands. It’s about seeing the world from new directions
Terry Pratchett

~ by eckhartaldegar on Julho 5, 2010 .



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