Blade Runner (Perigo Iminente)
Há relativamente pouco tempo entrei numa discussão sobre a diferença entre bom cinema e cinema mediático, sendo que o último prolifera e muito infelizmente é raro englobar também o primeiro conceito. Pelo meio dessa discussão foram ditas algumas barbaridades (por barbaridade entenda-se opiniões sem fundamento e não diferenças de gostos), sendo a pior o facto de alguém ter dito que o Avatar era o melhor filme de todos os tempos sem sequer ter visto filmes como o The Godfather, Schindler’s List, The Shawshank Redemption, Pulp Fiction… e Blade Runner.
Por estas e por outras, hoje venho-vos falar do Blade Runner, que é um dos grandes filmes do Harrison Ford pralém dos Star Wars e Indiana Jones.
Sinopse
Num futuro longínquo, a humanidade parte finalmente para a colonização do espaço, mas a tarefa não se afigura como sendo fácil, e rapidamente se torna visível o facto do ser humano ser uma criatura demasiado frágil para a árdua e perigosa tarefa de erguer colónias. Para resolver este problema são criados seres geneticamente alterados, chamados de replicantes, que sendo mais fortes e agéis se tornam a “ferramenta” a usar. Todavia devido ao processo de “fabricação” e crescimento rápido, estes seres tornam-se instáveis emocionalmente, e apresentam pouca ou nenhuma empatia com o ambiente circundante, o que torna muito provável o aparecimento de comportamentos agressivos durante o seu desenvolvimento, razão pela qual o seu período de vida é limitado a 4 anos.
Algures durante o desenvolvimento dos replicantes surge neles o sentimento de quererem ser humanos, o que gera uma rebelião da sua parte, e consequentemente leva à criação de uma brigada especial de polícia, os Blade Runners, cuja missão é simples, caçar e matar os replicantes rebeldes.
Anos mais tarde, a história repete-se, e um grupo de replicantes chega à Terra para encontrar o seu criador numa tentativa de ganharem a humanidade. Este evento faz com que Rick Deckard (Harrison Ford), um Ex-Blade Runner, seja chamado de volta ao activo, e lhe seja encarrega a tarefa dos encontrar e destruir.
Opinião
Este filme é simplesmente brilhante, contendo pormenores deliciosos que não posso aqui mencionar para não estragar a experiência a quem ainda não viu uma única vez este filme.
Em pormenores gerais, o filme apresenta uma enorme complexidade emocional, capaz de tirar o ar a cada um de nós, especialmente o facto de mostrarem uma panóplia de emoções crescentes nos replicantes, que ao nascer são basicamente crianças no corpo de adultos e que devido às circunstâncias da tarefa para a qual foram desenhados e da sua esperança de vida reduzida, têm que crescer a um ritmo absurdamente rápido, e mesmo na curta duração do filme se consegue discernir claramente um grande desenvolvimento emocional por parte dos replicantes.
Falando ainda de conteúdos mais gerais, o filme aborda a eterna pergunta: O que é um ser humano? Somos uma alma, um corpo, um conjunto de memórias? De facto, o filme revela um maior comportamento humano por parte dos replicantes, que lutam com a sua morte anunciada sem razão válida, do que dos humanos que os pretendem capturar… tirando uma grande excepção… a qual saberão vendo o filme.




















