E agora, algo completamente diferente.
Bem sei que é verdade que os leitores deste blog estão habituados a artigos com poucas palavras, muitas imagens, e ainda mais paródia. Mas comigo, não há cá nada disso. Não senhor, este é um artigo sério, escrito por uma pessoa séria. Para o demonstrar, aqui está uma imagem séria:

Não, meninas, não sou eu. Deixem de enviar mails.
Agora que cumpri a quota obrigatória de imagens por post deste blog, está na hora de iniciar o primeiro de uma série de artigos dedicados a explorar a fascinante fauna do mundo dos vídeojogos. Em cada artigo, uma nova besta será posta a nú, para mal das vossas frágeis mentezinhas. Tremam.
O selvagem mundo dos vídeojogos está repleto de criaturas com todas as cores, formas e cheiros; Porém, poucas delas são tão vis como o hardcore gamer, esse animal.
Vindo das profundezas da cave da casa dos pais, de onde raramente sai, este bizarro ser, com a sua alma deturpada por milhares de horas no Counterstrike, e os seus sovacos desesperadamente carentes de Rexona, apenas interage com outras espécies de jogadores para afirmar uma superioridade imaginária baseada em percentagens de headshots, Xbox Achievement Points e outras medidas igualmente ridículas. O seu habitat natural é inconfundível: um quarto de adolescente com as persianas eternamente baixadas, 3 monitores, 2 PC’s (um deles kitado para mostrar aos “amigos” e outro com as entranhas abertas, que é o que eles realmente usam), a cama por fazer, a roupa suja do mês passado pelo chão, e um cheiro omnipresente a mofo e suor.

O habitat natural do hardcore gamer em todo o seu esplendor.
Costumam autoqualificar-se utilizando o termo “leet”, abreviatura de “literalmente sem vida”, porque cada minuto da sua existência é dedicado a arranjar novas idiotices relacionadas com jogos para se vangloriarem. O hardcore gamer, apesar do seu nome, prefere falar de jogos a jogar, e obtém particular satisfação de menosprezar e ridicularizar os possuidores de consolas que ele próprio não possui, e em particularmente aquilo que ele chama de “casual gamers”, que aparentemente é um termo que na realidade significa “pessoas que praticam sexo com regularidade”.
Apesar disso, estes seres não têm grande dificuldades em manter relações amorosas sinceras e dedicadas. Infelizmente para eles, a nossa sociedade ainda não contempla o casamento entre humanos e consolas, pelo que têm de se contentar em manter as suas amadas satisfeitas com kits de neons, mods não autorizados e jogos importados do Japão. O seu conceito de “ritual de acasalamento” limita-se a fazer “teabagging” a um adversário recém-abatido.
A principal forma de socialização do hardcore gamer dá pelo patusco nome de “LAN Party”. Neste estranhos rituais, os hardcore gamers reunem-se para, em conjunto, imaginarem que a potência das suas máquinas é proporcional ao tamanho do seu pénis. O conceito de “convívio”, estranho para esta criatura, assume segundo plano face ao exorcismo do demónio “Lag”, uma das principais figuras da sua mitologia, ao lado do deus “Megahertz”. Também, cheiram mal.
Nos últimos anos, esta espécie foi colocada na lista de espécies ameaçadas devido ao alastramento da poluição lúdica proporcionada por plataformas como a Nintendo DS e a Wii. Conceitos como “divertimento”, impossíveis de apreender pelas mentes limitadas dos pobres hardcore gamers, têm ganho terreno no continente dos jogos, deixando cada vez menos espaço para o habitat natural do hardcore gamer. Esperemos só que os esforços da Sony e Microsoft de criarem reservas dedicadas ao hardcore gamer surtam os seus frutos, sob pena de deixarmos de poder admirar estas lamentáveis bestas – de preferência, à distância.

Dois dos predadores naturais do hardcore gamer, em pose de ataque.
Por: Myke Greywolf