Máquina do Tempo – História dos First-Person Shooters (FPS)

Estava indeciso entre uma Máquina do Tempo sobre FPS’s ou RPG’s, mas como agora existem montes de FPS’s à venda(não que seja algo bom) vou usar a máquina (arranjei usada no Ebay, já vos tinha contado?) para informar-me mais um bocado e falar sobre este género. E para começar tenho que dizer o que toda a gente sabe: um fps é um jogo de tiros na primeira pessoa. Agora já posso falar sobre a história dos first-person shooters.
Tudo começou graças a jogos como Maze War (1974) e MIDI Maze (1987), dois dos primeiros jogos do género. Mesmo assim os FPS’s só começaram a ficar populares em 1992. Foi nesse ano que a id Software fez magia e lançou Wolfenstein 3D (imaginem um som épico a acompanhar). O jogo (3º Wolfenstein lançado, mas o primeiro na primeira pessoa) foi muito bem recebido e acumulou um enorme número de fãs, sendo considerado ainda hoje um dos melhores shooters de sempre. Desde então a série recebeu outros jogos, como por exemplo Return to Castle Wolfenstein (2001) e o mais recente Wolfenstein (2009).
1 ano depois de Wolfenstein 3D, a id Software lançou outro FPS: Doom. O jogo gerou uma enorme controvérsia graças à sua violência, mas isso não afectou a sua popularidade, o jogo é considerado um dos melhores FPS’s de sempre e foi um sucesso de vendas em 1993. O jogo foi o primeiro de uma franchise que já gerou vários jogos [o mais recente da série principal é Doom 3 (2004)], incluíndo spin-offs, e também novelas e um filme com Dwayne Johnson, que foi muito mal recebido tanto pelos críticos como pelos fãs.

Após Doom os FPS’s continuaram a aumentar de popularidade e jogos como Marathon (1994), da Bungie, e Star Wars: Dark Forces (1995), da LucasArts, foram lançados. Mas até 1996 nenhum FPS alcançou o sucesso dos jogos da id Software, e foi Duke Nukem 3D que conseguiu fazê-lo. O jogo da 3D Realms foi o 3º da série e é o Duke Nukem mais famoso até agora. Com uma personagem principal carismática com muitas frases muito conhecidas como “It’s time to kickass and chew bubblegum…….. and I’m all outta gum” e “Hail to the king, baby”. Mas apesar do grande número de fãs dedicados, Duke Nukem 3D gerou muita controvérsia por “promover pornografia e assassínio”. O mais recente jogo da série, Duke Nukem Forever (2011), esteve em produção durante 15 anos, mas acabou por ser uma desilusão, recebendo más pontuações como um 5.4/10 na GameTrailers e um 3.5/10 (PC) e um 3/10 (consolas) na Gamespot.
Também em 1996 foi lançado Quake, um FPS desenvolvido pela id Software que ganhou grande parta da sua fama graças ao seu modo multiplayer. Tal como aconteceu com o primeiro Doom, Quake tornou-se muito popular e graças a isso foram lançadas várias sequelas, como por exemplo Quake III Arena (1999) e Enemy Territory: Quake Wars (2007).
Apesar do grande sucesso no PC, o primeiro grande FPS numa consola, GoldenEye 007 da Rare, foi apenas lançado em 1997, para a Nintendo 64. O jogo incluía um single-player muito bom e um modo multiplayer que viciou muitos gamers durante um grande período de tempo. O jogo permitia-te fazer headshots e tinha até alguns elementos de stealth. Foram vendidas mais do que 8 milhões de cópias do jogo, considerando ainda agora um dos melhores jogos do género, e também de sempre. Considerado também um dos jogos mais influentes de sempre, GoldenEye 007 teve um remake com o mesmo nome lançado para a Wii o ano passado. Este ano já foi anunciado GoldenEye 007: Reloaded, uma versão do remake para PS3 e Xbox 360.

Em 1998 foi lançado Tom Clancy’s Rainbow Six, um jogo realista que iniciou a fama dos first-person shooters tácticos. No ano seguinte Medal of Honor iniciou a famosa franchise com o mesmo nome, que ainda hoje continua activa. O mais recente MoH tem o mesmo nome que o primeiro, e foi lançado o ano passado.
Mas em 1998 não foi iniciada apenas a série Rainbow Six, mas também uma franchise ainda mais famosa. Foi nesse ano que Half-Life, da Valve, chegou às lojas de todo o mundo. O jogo foi bem recebido graças à sua boa história, contada sempre através dos olhos do protagonista Gordon Freeman, e nunca através de cutscenes, boa jogabilidade e I.A. realista. O jogo recebeu 3 expansões, tal como a sua sequela recebeu dois episódios adicionais. O 3º episódio está planeado, mas ainda não existe nenhuma informação ou screenshot do jogo.
Em 1999 foram iniciadas duas séries muito famosas por quem gosta de jogar online: Unreal Tournament e Counter-Strike (CS), uma modificação de Half-Life. Unreal Tournament teve até agora três sequelas (2003, 2004 e 3), enquanto CS teve algumas diferentes versões, sendo CS: Source o único CS que pode ser considerado uma sequela ao original, até ao lançamento do recentemente anunciado Global Offensive.

Em 2001, foi lançado o extremamente conhecido Halo: Combat Evolved. Foram vendidas mais do que 5 milhões de cópias do jogo, que foi muito bem recebido pelos críticos e pelos fãs de FPS’s. O seu multiplayer foi considerado na altura por muitos o melhor de sempre. Em 2004 saiu a primeira sequela de Halo: Halo 2. O jogo manteu a qualidade do seu antecessor e o seu modo online é um dos mais jogados e mais famosos de sempre. Os seguintes jogos da franchise foram Halo 3 (2007), o RTS Halo Wars (2009), Halo 3: ODST (2009) e a prequela Halo: Reach (2010).
Em 2000 Deus Ex iniciou a série com o mesmo nome, que junta elementos de RPG’s e de FPS’s. Dois anos depois foi lançado Metroid Prime, para a GameCube. O jogo foi o primeiro da trilogia Metroid Prime, que troca as plataformas 2D habituais na série por uma jogabilidade na 1ª pessoa. Apesar das características de FPS, o jogo manteu os puzzles e plataformas dos jogos anteriores da franchise. Outro ponto positivo do jogo foram os seus gráficos, muito bons para a altura em que chegou ao mercado.

Também em 2002 foi lançado o primeiro de muitos Battlefields. Battlefield 1942 foi muito bem recebido, especialmente graças ao seu multiplayer, e desde então já foram lançados vários jogos para a série. Alguns exemplos são o muito famoso Battlefield 2 (2005), o futurístico Battlefield 2142 (2006) e o realista Battlefield: Bad Company 2. Em 2003 foi lançado o primeiro Call of Duty. O jogo foi bem recebido e então pouco depois foi lançado Call of Duty 2 (2005), o 2º jogo de uma série que já bateu recordes de vendas com Call of Duty: Modern Warfare 2 (2009), o 2º jogo mais vendido de sempre, e Call of Duty: Black Ops (2010), que superou em vendas o seu antecessor.
Outros FPS’s que foram bem recebidos e alcançaram o sucesso recentemente são F.E.A.R. (2005), que misturou uma jogabilidade à FPS com elementos de jogos de terror (apesar das suas sequelas serem focadas mais em acção do que em terror), o extremamente bem recebido BioShock (2007) que já recebeu uma sequela (e para o ano um novo BioShock vai ser lançado, e só não meto ali um “\m/” sem ser em aspas e incluído numa frase desta maneira porque ficava mal num artigo para o blog), Crysis (2007), com os seus gráficos espectaculares que já devem ter assassinado vários PC’s, a trilogia Resistance, que terminou este ano (em termos de trilogia principal) com Resistance 3, Killzone 2 (2009) e Killzone 3 (2011), com a boa qualidade que o primeiro jogo da série não conseguiu ter, e ainda outros jogos como o divertido Bulletstorm (2011) e o famoso Black (2006), para PS2.

Este ano a luta por melhor FPS está minimamente renhida entre jogos que já foram lançados como Bulletstorm, Killzone 3, Deus Ex: Human Revolution (depende se considerarem o jogo FPS ou RPG), Resistance 3 e Hard Reset. Mas apesar da qualidade destes 5 jogos ser elevada a luta principal será entre dois rivais que ainda não estão no mercado: Battlefield 3 e Call of Duty: Modern Warfare 3.
E agora é a vossa vez de fazer algo e comentar este post, dizendo o que acham sobre ele, e contarem a quem estiver a ler o vosso FPS favorito (o meu é o Battlefield: Bad Company 2, mas tenho que admitir que até agora não joguei muitos FPS’s na minha vida) e a vossa aposta para FPS do ano (eu aposto eu Battlefield 3).
Espero que tenham gostado, e bons tiros!



There are 3 Comments to "Máquina do Tempo – História dos First-Person Shooters (FPS)"
Primeiro de tudo, excelente artigo. Muita pesquisa, muita informação, e com um pouco de humor à mistura.
O meu FPS favorito é Call of Duty 4, porque conseguiu fazer o que mais nenhum jogo conseguiu repetir, conciliar um excelente sigleplayer com um excelente multiplayer. Tenho um persentimento que o deixará rapidamente de ser quando começar a jogar Bioshock, que o tenho aqui parado à espera que tenha tempo para o jogar.
Deixa me dar agora uma opinião sobre o género em si. É um género com um potencial enorme, visto que nos põe como o interveniente, e é um género que propociona uma excelente imersão no jogo. Infelizmente, parece que na indústria à sempre um género que é copiado até à exaustão. Até à geração de 18 bits foram os jogos de plataforma em 2D, na de 64 os jogos de plataforma em 3D, e agora, os FPS’s. Clones clones e clones que fazem com que o género seja um bocado olhado de parte. Já estou farto de Call of Duty e os seus clones, é preciso algo novo!
Obrigado, ainda bem que gostaste!
Reparei agora num erro: considerei o Deus Ex: Human Revolution um FPS, mas durante a cobertura a jogabilidade muda para a 3ª pessoa, por isso mesmo que não fosse mais RPG que FPS não o poderia considerar FPS…mas não é um erro grave por isso vou manter.
Bom artigo, referiste todos os grandes títulos da história de um dos melhores géneros dos videojogos. Género que está a ficar cada vez mais saturado de títulos demasiado semelhantes… Infelizmente os jogadores também não se mostram capazes de apoiar os FPS que tentam desviar-se de COD e companhia, e para piorar tentam sempre comparar todos os FPS ao COD, mesmo que só partilhem uns elementos básicos. Precisamos de companhias com coragem para arriscar e de jogadores com mentes abertas.
O meu FPS favorito é sem dúvida o mítico Doom e a sua sequela. Um jogo extremamente divertido com um excelente leque de monstros sinistros onde nós podemos usar um leque de armas brutal. Mas dizer que Doom é só matar seria insultuoso. Mesmo com tanta acção, o jogo tem uma atmosfera macabra que ainda hoje tem efeito, e acho fascinante como o pessoal da id conseguiu tal proeza com os recursos da altura. O Doom 3 é um excelente FPS, mas trocou o estilo “satânico” por um estilo mais Sci-Fi e a meu ver isso prejudicou o jogo. Felizmente a id irá voltar às origens com o Doom 4, que é neste momento o jogo que mais espero.
FPS do ano? Rage. A id é para os FPS o que o Romero é para os filmes de Zombies. E pelo que já vi parece ser um FPS digno de se juntar aos grandes títulos da companhia. Não posso dar melhor elogio.
Se me permites gostaria de deixar uma sugestão. Para além do lado informativo, acho que deverias dar também um toque mais pessoal ao artigo. Deixar uma opinião pessoal, explicar o que a teu ver faz com que cada um dos jogos destacados mereçam tal respeito (mas claro, de forma parcial).