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Mãos na Coisa: Kirby’s Adventure Wii
Por: | 17 de Dezembro de 2011 às 02:42 | 1 Comentário

Amigos, no outro dia acordei espantado e, talvez por isso, o impossível aconteceu: por mais de 3 horas joguei sem dar o comando a ninguém. Para mim era sempre a minha vez de jogar mas como havia pessoas à minha volta que não estavam na minha cabeça, esta minha certeza não estava a reunir consenso. Não me restou outra alternativa que não a de começar a ler em voz alta a secção de comentários das notícias do Eurotraduções — como esperado, passado pouco tempo foi com alegria que me apercebi que todos concordavam comigo, era sempre a minha vez de jogar :3


Estava a monopolizar o Comando do Milénio, porém, não pensem já que sou um casual jogador ou uma criança por ter passado tanto tempo a jogar na Ûii: era o Kirby novo, sei que há perdão para isto, confirmem.

Kirby's Adventure Wii - Capa da versão japonesaO que tenho a dizer é sintético e mui doloroso para muitos especialistas e ilustres doutos da arte lúdica: como fica claro a imundice do Epic Yarn, mais um devaneio criativo que o pai Iwata permitiu aos “developeres” das visões e iluminações que têm levado a Nintendo ao porto dos prejuízos com as suas master pieces “criativa-ó-gamísticas”. Yarn é um daqueles videojogos para mostrar em museus e um tipo dizer de forma carregada foda-se, os meus olhos só vêem awesomeness nesse ecrã, mas, depois de olhar e gabar com as palavras, ir ali comprar aquele outro jogo enquanto se continua a dizer “fooorza” aíí Nintendo, continuem a produzir Epic Yarns porque os videojogos precisam é de evoluir assim.

Já este novo joguinho do Kirby aposta numa quase mesmice, pintado com pouco marketing porque não é feito por um Game God da vida, simples, até sem grande desafio para os versados na série, nada de extraordinariamente novo e sem vislumbre de narrativas feitas a peso de ouro pela Team Ninja — também, esta ideia de cabecinha pensadora está apenas reservada para jogos sobre instintos maternais e autorizações dramáticas para disparar a arma que já se tem (leia-se, Metroid: Other M).

Onde este Kirby detona é no mais importante: o divertimento. Não tem lugar no museu, mas o jogo não está feito para ser mais um Zé das Medalhas, está feito para meter o sangue a correr forte nas veias sem quase respeito algum pelos princípios apregoados pelos da arte lúdica, com a conversa dormente e inebriante da obra para ali e obra para acolá, se o Braid se o Flower o que mais molha a cuequinha — e que faz-me sempre lembrar o segmento nos episódios do Kitchen Nightmares onde o dono do restaurante afiança, indignado, que a sua comida é extraordinária, obrigando a que Gordon Ramsay o interrogue sobre se será devido à comida ser tão boa que o restaurante se encontra… vazio.

Este não é um jogo para “developeres” irem a entrevistas prestar caganças sobre as suas visões e genialidades, numa espécie de autoelogio catadupejante massajado sem cessar por jornalistas viciados em perguntas de camarada com a fisgada de, no fim da entrevista, poderem obter uma foto do “developere” a sorrir para publicar no seu facebook pessoal com a legenda eu ao lado do meu herói. Antes, trata-se de um jogo (j-o-g-o — jogo!) sem pretensões de trazer novidades gamísticas nível megaton nem fofura desmedida com lãs ou cell shadings. Perfeito, portanto, para todos os que ainda partilham aquele ADN considerado mutante hoje em dia e que é constituído exclusivamente por partidaços de meia-noite, a malta por casa, o sebo que ninguém limpa dos botões e a narrativa com pouco mais do que meter o boneco a andar para a direita para ir ganhar ao mauzão no fim.

Em suma, para trás ficou o muito engraçadinho e carregado de brilhantina Kirby’s Epic Yarn, regressando neste Kirby’s Adventure Wii o jogo-Kirby que se quer: rápido, divertido, fácil de pegar, morte > zero (aleluia!), muitas transformações fodas, um Meta Knight animalesco, carisma infinito, challenges de cada item fudónicas arrisco dizer, músicas novas que emplacam no ouvido e, acima de tudo, um Kirby que não é escuteiro: este come, não chicoteia feito maricas.

Para quem tem dedos grossos e calejados como os meus, as fases do jogo principal só ficam desafiantes lá para o 4º mundo, talvez no 3º se não tiverem um cérebro tão inchado de inteligência como o meu, mas os challenges items compensam, “forem” por mim que eu sei. O Co-Op até 4 jogadores existe, lembrem-se do NSMB Wii e chegam lá praticamente, mas eu não sou uma pessoa de partilhar pelo que não posso apalavrar em muita extensão sobre isto porque, para mim, é sempre a minha vez de jogar no cenário todo não é só numa parte dele, percebam.

Enfim, estamos perante o Kirby que devia ter saído primeiro na Ûii — mas isso seria o mesmo que pedir à Nintendo que lance primeiro a versão do Mario que vendeu 25 milhões em vez da versão spin-off, algo impossível porque, nestas questões, já sabemos que o lado criativo ganha sempre aos consumidores ao departamento de vendas.

Esqueçam o pachorento PuzzleZelda por umas semanas e comprem este Kirby que o dito cujo já anda por aí à venda! E lembrem-se, não sejam piraCtas porque a loja dos torresmos não conta, perde-se a paixão e os olhos ficam turvos para apreciar tudo como deve ser, experimentem o meu aviso que eu sou vosso amigo.

Pontuação final Rumble Pack:

  • Gráficos: 20/100
  • Som: 12/100
  • Música: 13/100
  • Multiplayer: 67/100
  • SinglePlayer: 101/100
  • MaxiPlayer: 0/100
  • Jogabilidade: 41/100
  • Grafibilidade: 70/100
  • Sombilidade: 1/100
  • Modelos gráficos das mãos: 0/100 (nem unhas a modos têm, tristeza) [background story]
  • Online: 0/100
  • Offline: 19/100
  • Skyline: 49/100
  • Skyline o carro: 0/100
  • Pontuação Final (não é uma média): 33,6 ~ 34 /100
  • Pontuação Final (média): é fazer as contas/100
  • Pontuação Final (mediana) x/100
  • Pontuação Final sem parênteses: 29/100
  • Pontuação Final à Segunda-Feira: 45/100
  • Pontuação Final para os olhos da Nintendo Portugal: 200/100

Espero não me ter esquecido de nenhuma categoria importante para pontuar, ainda sou muito inexperiente a fazer análises.

***

De seguida, coisas media para verem, cliquem com o rato para funcionar.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=8lyJZ3y1IZ0]

 

Já agora, a equipa deste jogo é a mesma da do Kirby que ia ser lançado para Gamecube. Entretanto, os produtores contam que o jogo já conheceu mais duas versões desde então. Parece que à quarta foi de vez. Um trailer da versão Gamecube para recordar — bastante animal por sinal, foi pena não ter sido lançado.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=yy2l5BSBSL0&feature=player_embedded]


1 Comentário no “Mãos na Coisa: Kirby’s Adventure Wii”

  1. diogoribeiro diz:

    este kirby ainda não joguei apesar de me deixar mais curioso quanto o epic yarn. lolei com as “autorizações dramáticas para disparar a arma que já se tem”, haha, mas convenhamos, acho muito pior aquela corrente de design moderno encontrado em zelda e mario onde estás constantemente a ser lembrado do que podes fazer, quando na verdade o que “podes fazer” é essencialmente a única coisa que podes fazer (vulgo, há uma estrela a 10 passos de mario, e eis que surge sempre um bicharoco a versar sobre existirem estrelas nas redondezas e não seria porreiro apanhá-las? e o único caminho passa pela estrela (o mesmo se aplica a habilidade); ou um gadget qualquer em zelda que apesar de ser funcionalmente o mesmo que já usamos há uma década, ainda precisa de mini tutorial, jingle e mãos do designer a afagarem-te o cabelo enquanto algo te diz, mentalmente ou no jogo, “bom trabalho, scooby”).

    mas ei, suponho que a legitimização em massa requer alguns sacrifícios

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