Final Fantasy XIII – Análise

Depois de dezenas de jogos, desde os 12 da série principal a todos os outros, Final Fantasy estreou-se nesta geração de consolas. Lançado para PS3 e Xbox 360 em 2010, Final Fantasy XIII é um jogo que muitos adoram e muitos odeiam. Com os RPG’s ocidentais nesta geração a serem melhores que os RPG’s orientais, será que Final Fantasy XIII consegue marcar a diferença e manter a qualidade dos melhores jogos da série, como Final Fantasy X e VII? De certeza de que toda a gente que está a ler isto conhece minimamente o jogo, mas mesmo que esta análise não vos ajude em nada a decidir se compram ou não o jogo, espero que a leiam e que gostem ;)

No início do jogo as personagens principais estão separadas, mas, cada uma com as suas razões, chegam todas ao mesmo sítio. Infelizmente para elas, as personagens acabam por estar no local errado à hora errada, e assim são transformadas por um fal’Cie, criaturas enormes e extremamente poderosas, em l’Cies. Ao serem transformadas em l’Cie as personagens são escolhidas pelo fal’Cie para realizar uma certa tarefa não especificada, que têm que cumprir para não serem transformados em monstros. As personagens principais são das melhores da franchise e isso é uma das melhores razões que o jogo tem para nos querer fazer avançar até ao fim, querendo sempre saber o que vai acontecer a seguir. Lighting é a determinada protagonista do jogo, e também uma personagem carismática, mas todas as outras personagens que a acompanham nesta grande aventura são também muito boas e têm características diferentes umas das outras. Sazh é um bom exemplo disso, sendo uma personagem muito engraçada às vezes, graças a, por exemplo, o pequeno Chocobo que vive dentro da sua afro. Snow, que faz um grande esforço para salvar a sua amada (Serah, irmã de Lighting, que foi transformada num l’Cie em acontecimentos anteriores aos do início do jogo), a sempre sorridente Vanille, Hope, que procura vingança sobre Snow e Fang, que se junta mais tarde ao grupo, são as outras personagens que controlamos durante o jogo.

Os cenários do jogo são extremamentes linear e são constituídos por corredores por onde avançamos até ao próximo boss ou cutscene. Pelo cenário podemos apanhar items, em forma de esferas. Os combates aqui não são aleatórios e os inimigos aparecem nos cenários. Ao começar a luta o cenário muda, ao contrário dos jogos em que o combate decorre no sítio onde são encontrados os inimigos. Infelizmente não existem cidades com NPC’s no jogo, o que é uma grande falha em comparação com FF’s anteriores. Mesmo assim existe uma parte do jogo em que, em vez de viajar-mos por corredores lineares, temos uma grande quantidade de espaço para explorar e um total de 64  missões secundárias para completar. Infelizmente, tal como eu referi antes, mesmo nesta parte não existem NPC’s nem cidades. Mesmo assim completar as missões todas é um bom desafio para os jogadores mais hardcore.

 O sistema de combate do jogo é uma versão do ATB (Active Time Battle). Este sistema tem duas novidades que o diferenciam das outras versões do ATB: uma delas é a barra de Stagger que cada inimigo tem, esta fica mais cheia cada vez que atacamos o inimigo. Quando chega ao máximo este fica muito mais fráco e sofre mais dano por ataque. Se começarmos o combate aproximando-nos dos inimigos sem sermos vistos a barra fica praticamente cheia desde o inicio do combate, o que é muito util. A outra característica deste jogo em relação a outros FF’s é a existência de classes para as personagens. Durante o combate podemos modificar as classes das personagens usando o Paradigm Shift. As classes são: Ravager, uma classe que nos permite usar ataques de magia; Commando, a classe mais ofensiva; Medic, que serve para curar as personagens; Synergist, que permite aumentar as capacidades e poder das nossas personagens e Saboteur, que serve para enfraquecer os inimigos. Ao contrário dos outros jogos temos uma opção chamada Auto-battle em que o jogo escolhe as acções da personagem por nós. Explicado assim parece tornar o jogo demasiado fácil, mas isso nunca acontece. Outra diferença para o habitual na série é o facto de controlarmos só uma das 3 personagens da equipa, enquanto as outras são controladas pela inteligência artificial. Apesar disso os combates são do melhor que há e isto não piora o jogo. No final de cada luta a vida das personagens volta ao máximo. O que não falta são os summons, aqui com o nome de Eidolons.

No fim de cada luta o desempenho do jogador recebe uma avaliação de uma a cinco estrelas e, dependendo do tipo e quantidade de inimigos, uma certa quantidade de CP (Crystarium Points), que servem para evoluir as personagens. No Crystarium evoluimos cada classe de cada personagem separadamente, e ao gastarmos pontos em cada classe vamos desbloqueando novos poderes e aumentando o ataque, defesa, e outras características das personagens. O sistema de evolução é simples, o que é bom, mas infelizmente, tal com os cenários do jogo, é linear. Isto porque não podemos evoluir as personagens de várias maneiras, mas só de uma, ao contrário de outros jogos em que podemos evoluir mais certas características e poderes do que outros. Também é possível evoluir as armas e acessórios que compramos ou encontramos, fazendo upgrades com os componentes que temos.

Tanto artisticamente como tecnicamente, os gráficos do jogo são deslumbrantes. Tanto as personagens como os cenários estão muito bem detalhados, especialmente nas espectaculares (especialmente uma no início de um certo capítulo) cutscenes em CGI. Infelizmente essas cutscenes são só uma pequena percentagem das cutscenes do jogo, mas as que usam o motor de jogo estão também muito boas e mostram bem os gráficos do jogo. Os vários locais em que o jogo acontece são muito variados e este é um daqueles jogos em que vale a pena parar e mover a câmara observando o magnífico cenário. O voice acting está também de grande qualidade, mas a banda sonora é o que brilha mais em termos sonoros. Final Fantasy XIII tem uma das melhores bandas sonoras em video jogos desta geração, com músicas expectaculares que valem a pena ouvir mesmo quando não estamos a jogar.

 A duração do jogo é também muito boa, especialmente se quisermos ter todos os troféus e fazer todas as missões secundárias. Apesar de os jogos de agora (Especialmente shooters) durarem cerca de 10 horas no geral os RPG’s lutam contra a corrente e mantêm-se como o género de jogo em que os jogos têm maior duração.

Apesar de ser muito criticado pela sua linearidade, Final Fantasy XIII não desilude. Os seus gráficos, história e personagens e banda sonora são demasiado bons para o jogo ser considerado mau. Pode não ser o melhor Final Fantasy de sempre, mas também não é o pior (E não me parece que o único pior da série principal seja o 14…). Não posso compará-lo  com outros JRPG’s recentes, como Xenoblade Chronicles, um jogo que eu quero jogar mas que não tenho, mas não duvido de que Final Fantasy XIII é um dos melhores jogos do género vindos do Japão dos ultimos anos e todos os fãs que conseguirem aguentar a extrema linearidade vão encontrar aqui dezenas de horas de diversão.

E é graças a isto que Final Fantasy XIII merece um selo de aprovação Don’t See…Play!

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