Call of Duty: Black Ops – Análise

A série Call of Duty é a que actualmente mais vende anualmente. Com um estilo muito próprio, campanhas exorbitantes e multiplayers muito concorridos são a face, para o bem e para o mal, de uma franquia muito conhecida dos jogadores. Modern Warfare 2, da “extinta mas não extinta” Infinity Ward lançamento de 2009 bateu recordes de vendas, e em 2010, foi a vez de Black Ops, desenvolvido pela Treyarch, quebrar novamente os números previamente estabelecidos. A imagem de marca foi a proximidade da Treyarch com a comunidade, equilíbrio no multiplayer e um novo modo de zombies. Será que conseguiram estar a par das expectativas?

As campanhas dos COD’s têm vindo a diminuir de tamanho. Começaram por ser o foco principal, passando a ser apenas algo secundário. Apesar de tudo, a qualidade tem se mantendo alta e ano após ano os jogos vão ficando cada vez mais frenéticos. Neste campo, Black Ops não consegue inovar. Continua a ser apenas uma campanha de 7 horas, mas este é a única grande queixa que eu tenho. O modo estória é espectacular! Estamos na pele de Mason, um ex-militar das “Black Ops”, sendo interrogados por uma qualquer sombra. São os flashbacks que Mason sofre durante este mesmo interrogatório que nos levam ao passado, a momentos espectaculares e sítios exóticos. Sim, se uma vez estamos numa batalha na Segunda Guerra Mundial, noutra já podemos estar no Vietname, e ainda noutra situação, podemos estar a participar numa fuga de um Gulag Nazi na Russia, em Vorkuta, o meu nível favorito e, para mim, o segundo melhor da série (quem não se lembra de Chernobyl?).

As personagens são excelentes, cheias de carisma, e algumas são sem dúvida memoráveis, mas infelizmente, volta aquela mania da série em fazer-nos jogar por várias personagens, algo que pode ser um bocado confuso, mas sendo que as nossas personagens todas falam, é fácil entender as diferenças. Também há muita diversidade, porque o jogo parece estar sempre a dar-nos razões para fazer algo diferente, e, claro, aquele sentimento cinematográfico de um filme de acção de Hollywood, está mais do que presente, com explosões, momentos em câmara lenta e humor a aparecerem aqui e ali. Também senti que é um jogo com um bocadinho mais de gore, algo que sem dúvida que é de louvar. Finalmente, devo dizer que não tem a mesma mestria que os outros COD’s. Apesar de não ter visto nada aberrante, viram-se alguns pop-ups e texturas mais fracas. A IA têm picos e os NPC’s por vezes fazem coisas impensáveis. Se por vezes se escondem, atiram granadas, atacam em grupo, outras simplesmente vêm contra nós sem nos atacarem, e mais aberrante, os nossos colegas por vezes avançam deixando inimigos nas suas costas, levando a algumas mortes embaraçosas.

A nível visual, o jogo é muito bonito. Paisagens luxuriantes e diversificadas, personagens muito realistas e os veículos também. Apesar de este ser o mesmo motor desde 2007, este não dá qualquer sinal de envelhecimento. Porém, não posso dizer que não esteja cansado. É preciso inovação neste sector, mas quando se tem de publicar um jogo de dois em dois anos é obviamente mais complicado.

Passando agora ao multiplayer, este é, sem dúvida o mais equilibrado e bem mais difícil. Para os que jogaram Modern Warfare 2: Sim, acabaram-se os lança granadas a inundar as partidas, acabou-se as perks “overpowered” e tudo o que fazia do jogo da Infinity Ward chato e por vezes quebrado. Depois temos também uma pequena revolução. Em vez de termos de “grindar” uma arma, temos agora CODPoints, a moeda do jogo. Ainda temos níveis para certas armas, mas depois de as desbloquearmos só temos acesso a elas comprando-as com estes pontos. E ao desbloqueá-la, todos os attachments estão desbloqueados, e mais uma vez, basta comprá-los De resto é o que estamos habituados, e o que nos prende durante tanto tempo. Mapas diversificados e montes de armas por onde escolher. Em cima disso, há também o novo modo de jogo Wager Mode.

Wager Mode é um multiplayer dentro do multiplayer. Nele podemos “competir” em quatro modos diferentes de jogo, por uma quantia de COD Points. Sticks and Stones dá-te uma besta com flechas explosivas, três facas balísticas e um tommahawk (uma espécie de faca para atirar). Gungame é o gungame que todos conhecemos do Counter-strike. Níveis, com cada um com uma arma, ser esfaqueado faz com que desçamos um nível. One in the chamber dá-te uma bala e três vidas. Matas com um tiro e recebes sempre uma bala quando matas alguém. Finalmente, Sharpshooter tem 45 segundos de uma arma qualquer que muda para toda a gente ao mesmo tempo. É, portanto, um jogo dentro de um jogo. É muito divertido e já passei boas horas lá.

Temos também o modo de Zombies. Temos dois mapas, um que aparece logo no início do jogo, e outro desbloqueado após a campanha ser completa. É basicamente mais do mesmo, ou seja, mais do bom. Praticamente é tudo igual. Estão de volta as ondas de zombies intermináveis, está de volta o modo cooperativo com muitos adeptos, estão de voltas as horas gastas a fazer dos mortos-vivos, “mortos-mortos”. E no segundo nível (o tal desbloqueado após o final da campanha) as personagens jogáveis são nada mais, nada menos do que J. F. Kennedy, Fidel Castro, Robert McNamara e Richard Nixon. O que eles dizem, e especialmente o que Kennedy diz no meio do jogo é simplesmente hilariante e muito inteligente.

Call of Duty: Black Ops dá-te muito pelo dinheiro que gastas no jogo. Para além de uma campanha que, apesar de pequena, é exuberante e muito boa, um multiplayer quase com horas infinitas de diversão, um Wager Match com muito por explorar, muitos zombies e finalmente um modo Dead Ops Arcade, que é um top-down shooter, parecido com um jogo que se encontra na PSN “Zombie Apocalipse”, onde, à imagem do modo de zombies, o jogador têm de enfrentar ondas de mortos-vivos cada vez mais difíceis. É espectacular, tem uma música que faz lembrar a da geração de 16 bits, e acima de tudo, não era necessário. Ninguém compraria o Black Ops pelo DOA, nem por outra mão cheia de easter egs que se encontram ao longo do jogo, e certamente que não traria nenhuma reclamação não termos nada disto. No entanto, os produtores do jogo decidiram fazê-lo, e isso demonstra o cuidado com que este jogo foi feito.

Deverá ser essa a palavra-chave de Black Ops, cuidado. Apesar de tudo o jogo tem falhas, e peca claro, pela falta de novidade propriamente dita. Tem um multiplayer balanceado (coisa nunca vista antes num COD) e uma campanha com a melhor estória da série. Se havia dúvidas, a Treyarch desfê-las. Venham mais Call of Duty’s desta produtora (visto que a Infinity Ward já não é bem a Infinity Ward). O preço é mais do que o correcto por um jogo gigantesco, há para todas as plataformas imagináveis (infelizmente não saiu para a Atari 2600) e é mais do que fácil de arranjar. Portanto do que estás à espera? Prepara-te primeiro para gastares uns três meses da tua vida em Call of Duty: Black Ops!

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