Assassin’s Creed: Brotherhood – Análise


Quase um ano depois do lançamento de Assassin’s Creed II, que revolucionou a série da Ubisoft, chega-nos Assassin’s Creed Brotherhood, a continuação da estória de Desmond Miles e, claro, Ezio Auditore. Portanto, prepara-te bem, põe as tuas hidden blades e o capuz e segue-me nesta aventura pelos telhados de Roma!

Comecemos pela estória. Logo no início do jogo temos uma pequena explicação do que se passou no último AC, mas para ser sincero, um novo jogador da série não entenderá lá muito bem o que se passou anteriormente. Quanto ao jogo propriamente dito, desta vez temos um foco maior do que é habitual no que se passa em Itália do século XXI, com Desmond e o seu grupo. Não quero dar demasiada informação, mas Montgiornni é agora a base destes Assassinos. Já no renascimento, a estória começa mesmo quando acaba ACII, e temos um Ezio cançado, que apenas quer voltar a casa e desfrutar uma vida calma e serena. Digamos que, depois de acção na banheira com Caterina Sforza, tudo corre mal e Ezio vê-se obrigado a ir a Roma para vingar o que se passou. Desta vez, os visados são Cesare Borgia, que quer conquistar toda a Itália e o seu irmão, Rodrigo Borgia, o papa, ambos templários.

Senti que esta estória era mais leve do que ACII, no que toca a conspirações e reviravoltas. Existem algumas, mas não tantas como no último jogo. No entanto, acho que as personagens estão melhor caracterizadas, e como só temos quatro ou cinco grandes alvos a abater, estive muito mais concentrado na estória e no quando é que teria oportunidade de acabar com a vida destes “sacanas”. O final é típico de um jogo de Assassin’s Creed, deixou muito em aberto, não se entende metade e há um grande momento “mas que raio?”. Agora, é esta estória a melhor da série? Não necessariamente, é diferente. Quer a de AC:II, quer a de Brotherhood são imersivas e espectaculares, cada uma  na sua maneira.

No que toca a novas introduções, AC:Brotherhood é uma boa sequela, tendo em conta que apenas passou um ano, e sabendo a imensidão do jogo. Pequenas-grandes migalhas como a inclusão de uma besta, o modo multi-jogador,  uma guild de assassinos que pode ser chamada sempre que quisermos e as missões de Realidade Virtual formam um grande pão de novidades.  E  também temos muita variedade. Lembram-se daquela máquina voadora feita pelo Leonardo da Vinci que temos a oportunidade de pilotar em ACII? Pois bem, agora temos umas quantas missões secundárias com novas máquinas de guerra executadas pelo nosso companheiro, onde se inclui uma espécie de tanque, a máquina voadora versão 2.0, e muito mais.

A grande nova adição deste jogo é mesmo a guild de assassinos. Ezio agora pode recrutar membros do povo oprimidos para se juntarem à sua causa. Depois de os recrutar pode enviá-los por missões por toda a Europa (incluindo Lisboa) para os fazer aumentar de nível e reduzir a influência templária nessas cidades, ou então deixá-los em Roma, e utilizá-los para matar alvos e ajudá-lo em algumas missões. É uma excelente adição e trás mais profundidade ao jogo. O modo de Realidade Virtual é também uma excelente adição. Podemos lá completar desafios e partilhar o nosso tempo com os nossos amigos. É engraçado e leva-nos a, de x em x tempo, ir ver como é que eles se estão a sair e tentar bater os nossos próprios recordes. O cavalo dentro da cidade também é uma boa adição, e dá um jeitão quando queremos viajar por um território tão grande como é Roma.  Muito mais foi adicionado, o que torna este jogo, como já disse anteriormente, uma excelente e completa sequela, dadas as circunstâncias.

Os gráficos estão ainda melhores que os últimos títulos da série! Há partes em Roma que são de ver e chorar por mais. Roma é também uma cidade muito diversificada. Para além do montão de igrejas, temos o Panteão, o Coliseu e, claro, o Vaticano. É engraçado ver os contrastes entre a Roma mais cosmopolita (no que ao século XVI diz respeito) e as partes mais rurais, com as ruínas da Roma antiga. Gostava de poder revisitar Florença e Veneza, sem dúvida, mas Roma vale por todas as outras cidades que visitamos em AC:II. Claro que isto tudo tem um preço, e a versão da PS3 têm problemas ainda maiores do que no último jogo, no que ao frame-rate e a pop-ups diz respeito. Preferia ter tido um jogo com gráficos inferiores e que corresse bem melhor porque, apesar de não serem problemas gritantes e que nos impeçam de jogar, são algo chatos e por vezes até ridículos. Nota para que a minha consola crashou uma vez ao jogar a campanha. A música é a melhor da série. É apropriada e ajuda a criar um ambiente espectacular.

O multi-jogador também é uma boa adição, e sobe o nível de rejogabilidade astronomicamente, comparando com os títulos anteriores da série. Nele podemos competir sozinhos ou com um grupo, numa espécie de jogo de escondidas mortal. É muito menos face-paced do que, por exemplo, um multijogador de um qualquer FPS, mas estes são jogos diferentes. Eu, pessoalmente, prefiro mais o ambiente frenético de um Call of Duty, mas é sem dúvida uma boa distração. E o meu ritmo cardíaco chegou a aumentar quando corria pelos telhados atrás da minha presa. Os níveis são bons, balanceados e tiram algumas ideias da campanha. Apesar do meu medo, acabou por ser mais uma maneira de completar um jogo já por si gigante.

Apesar do medo de muita gente (incluindo eu) de que este poderia apenas ser um Assassin’s Creed 2,5, Brotherhood é muito mais do que isso. É uma mão cheia de novidades que fazem com que o último título da série pareça algo incompleto. Uma campanha que demorará 10 horas a completar, mas com mais 10 horas de exploração e missões secundárias, com um bom multijogador que, apesar de tudo, é uma excelente maneira de desanuviar de outros mais arrebatadores, e um modo de RV que te deixa competir com os teus colegas, Assassin’s Creed Brotherhood dá-te muito pelo teu dinheiro. Se tivesse de simplificar este jogo numa frase, seria algo do tipo: Melhor Assassin’s Creed até à data e um dos melhores sandeboxes desta geração. Sim, tens de o jogar.

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