As Filipinas, território (ainda) longe de ser considerado uma potência mundial, tiveram finalmente direito à sua primeira película caseira com animações 3D (não aquele dos óculos, mas sim o característico de modelos representados tridimensionalmente, como vem a ser tradição da Pixar e Dreamworks).
Sinceramente, não percebi patavina do que foi dito neste traila, mas ouso tentar interpretá-lo exclusivamente com base naquilo a que assisti:
- O personagem principal é um jovem inofensivo e vítima de bullying;
- Ele é, contudo, um dos envolvidos numa experiência em rede, onde encarna um personagem virtual representativa da sua pespectiva utópica dele próprio.
Seja qual for o ângulo de onde se encare RPG Metatonia, as comparações para com determinados produtos ocidentais é inegável. Julgo, todavia, tratar-se de algo com impacto particularmente sonante no Oriente.
A minha anal-ise, depois do clique!
Ora Bejamos: o ser fraco e insignificante procura, de certo modo, refúgio num videojogo onde, graças ao facto de dito jogo se alastrar por todo o mundo (via Internet), este consegue ser reconhecido pelas sua “façanhas” Virtuais…

... e foi então que um cobrador de impostos com óculos-de-sol 'sacou da sua pistolona' e gritou - "Miz-ter Éndersson!"
A premissa é equiparável a The Matrix: um indivíduo converte o seu intelecto, a sua compreensão das regras que regem um universo diferente, em poder digno de estatuto privelegiado. Até se poderia fazer referência ao conceito de Super Herói – e a MUUUUUUito mais coisas, mas fiquemo-nos por estes dois! –, onde a um ser outrora mediano (ou até mesmo fraco e inadaptado ao mundo) lhe são atribuídas características sobrenaturais, em troco de um compromisso de humildade e serviço à humanidade, seja de que modo for.
Em territórios como a China e as próprias Filipinas, onde consolas de videojogos não são acessíveis à classe média, a Internet é o único meio não-tradicional de uma pessoa “escapar a um possivelmente árduo quotidiano”. E através de simples cliques, não só se podem entreter como também integrar-se em sociedades intercontinentais (seja de jogos online, ou de causas específicas), espaços em que poderão vir a ser reconhecidos sem sequer sair do país…

Nyan Cat: mais viral que o World of Warcraft
… agora, se isto é bom ou mau, não há uma resposta clara, apesar desta ser aquela conclusão a que ninguém deseja chegar. Há o problema de uma pessoa perder a percepção de como o “mundo de verdade” funciona, de tão integrado que está em outros. Mas é simultaneamente uma oportunidade de obter um prestígio bem real (e exclusivamente alimentado por acções virtuais), e mesmo fazer amigos e connections por todo o lado… fica o aviso, porém: se não é fácil distinguir em quem se deve confiar no mundo real, muito mais complicado será na Internet, onde nem provas concretas há de que estejamos a falar com a pessoa certa!
– já para não falar dos Chineses que morrem e vendem filhos “por causa” de jogos online –


