
– Artes Gráficas… o problema! –
Debater o modo como os Bideojogos podem ser encarados como obras de “arte” (semelhantes à cinematografia ou escrita), é já tão banal que aborrece. E a ascensão dos jogos casuais, mais focados num entretenimento imediato e não enfatizado numa narrativa, dá indicações de que as histórias interactivas possam estar a atingir um beco sem saída.
Contudo, o geek é um fiel, e por isso mesmo há espaço para a diferença, para o heterodoxo — fui Ber a palavra ao dicionário, portanto sei que existe!
Dito isto, haverá espaço, no coração de cada um, para software como Digital: A Love Story? Não para muitos… contudo, não existe por aí um daqueles ditados todos maricas… ”Poucos, mas bons!”

– imagem descritiva do jogo… no kiddin’! –
Ficai aBisados, meninos de coração de pedra e veneradores dos “moches” no Heavy Metal: este jogo não poderia ser mais secante no que diz respeito à sua interface: repetitiva, com comandos super-hiper-mega-ri-lyonce redundantes, ícones mínimos e nada de atalhos. Aliás, até parece que estou a descrever um computador AMIGA com um limitado acesso aos primórdios da Internet… oh wait!
Desejai sacá-lo já, ou ler a análise primeiro?
Será MESMO um jogo?
Nã sei! Por aqui, pouco mais se faz para além de clicar em botões, escrever números para nos ligarmos à Internet, ler mails, responder (sem ter qualquer controlo sobre o que mandamos) e acreditai em mim: é uma tarefa tão mundana quanto estou a descreBer. Mas não era essa a ideia?

– mas quem disse que EU estava apaixonado? *Imagem via RPS –
Numa tentativa de representar fielmente o passado Informático e a vida dos “nerdos” de então, Digital demonstra como os outrora “meninos da informática” se viam envolvidos num espaço virtual em muito relacionado com o nosso, propiciando à “inter-ajuda” numa Internet em estado embrionário. Ao contrário do que pensamos, esta tecnologia agora primitiva já servia para nos abrir as portas a um imenso mundo de novos conhecimentos e conspirações MetalGear-escas dramatizadas por uma banda sonora Retro – a qual é reproduzida com um leitor de MEDIA deveras parecido aos dos nossos ambientes de trabalho!
Mau Jogo, Excelente Experiência

– pré-Keanu Reeves –
De, a experiência Interactiva foi deveras cuidada: desde a interface pixelizada e limitada até aos programas, sendo num deles necessário conectar à rede telefónica, de um modo semelhante — mas ainda pior — ao habitual com a Internet por cá, nos anos 90. É centrado nas premissas das Bulletin Boards (e sua vertente social) que a história de Digital, algo inspirada na da ARPAnet – a.k.a.: Internet de chupeta e fraldas – esconde um segredo do qual poucos sabem, e ao qual o protagonista terá acesso. E tudo isto é despoletado por uma relação mais apaixonante que todos os casos entre humanas e vampiros juntos!
Enquanto jogo, pouco se destaca. Já enquanto experiência interactiva, vale pelo seu realismo e drama: desde a credível interface de computador ao pormenor de se ter de iniciar a conexão à Internet, a fim de pesquisar espaços e mensagens nem sempre dedicadas a nós — tal como no mundo real! –. A narrativa pode já não ser original, mas funde bem os elementos que a inspiraram, tendo aqui uma das experiências mais intrigantes de sempre…
… cheguei a mencionar que é grátis?
Um Beredicto, sr. Ministro?

- Narrativa peculiar e dramática com um humano e sua pseudo-Internet;
- Uma representação fiel das interfaces computacionais pré-Windows-supremo-senhor;
- Banda sonora aglomera clássicos do chiptune;
- É grátis;
- É também o melhor jogo de sempre a decorrer 5 minutos no Futuro de 1988.

- Um simples mail não respondido pode bloquear o nosso progresso na história toda;
- Ter de escrever os números no programa – para acesso à Internet – é realista… mas MUITO aborrecido;
- História é muito boa mas não é anti-spoilers – poder-vos-ia contar o final e estragar a experiência toda, simplesmente porque posso!
- Jogo? Quem ser jogo?
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