Este jogo exclui quaisquer animações do seu plantel de píxeis: bonecos sem movimentos, animações labiais ou sinais de Bida. Mas a musa das Internétes assombrou-me até me forçar a experimentá-lo… valeu a pena? Sim, mas “demorou”.
Meus caros, este é Desktop Dungeons:

Após a primeira impressão, este jogo poderá ser difícil de aceitar, não apenas pelos estilo audioBisual limitado (clicar na opção para desligar o som é altamente recomendada), mas também dada a sua dificuldade: terão de compreender todas as variáveis em jogo, ler cuidadosamente todo o texto referente às religiões que, eventualmente, poderemos adoptar… e mesmo assim, irão requerer de uma “pitada” de sorte!
1 — O Conceito
Desktop Dungeons assenta num conceito base tão Belho quanto os próprios Lusíadas digitais: encarnaremos um herói, sem nome ou personalidade, cujas habilidades são determinadas pela sua raça, profissão/especialidade e experiência obtida ao derrotar inimigos. O nosso desafio é simplesmente o de eliminar o(s) chefe(s) final(is) (os bichos que falam, basicamente) e clicar no botão “RETIRE”, prosseguindo para a avaliação final. Infelizmente, estes bosses são mostrengos deBeras poderosos, pelo que será preciso evoluir as características do nosso personagem a fim de nos prepararmos para o combate final.

– “Regards”? Mas que Boss tão simpático! –
A acção decorre numa masmorra gerada aleatoriamente e subdividida em quadrados, cada um vazio ou preenchido com um obstáculo (parede, inimigo, item…). Para efectuar uma deslocação para um espaço vazio, basta clicar no mesmo, considerando que não existem quaisquer obstruções por parte de uma casa não desvendada ou preenchida por inimigos ou paredes — convém mencionar que, em oposição aos tradicionais jogos RPG estilo Rogue, aqui são permitidas movimentações diagonais, em adição às horizontais e verticais.
Para mais informações, a primeira imagem deste artigo poder-Bos-á orientar umas dicas.
2 — Combates, Especialidades e Religiões
Combater é relativamente intuitivo: basta clicar no inimigo escolhido, com o boneco colocado a uma casa de distância do oponente. Naturalmente, ataque por dano directo poderá envolver uma resposta por parte dos inimigos, pelo que convém considerar os actos e consequências possíveis para as diferentes situações. Ataque por intermédio de magias não resulta numa resposta por parte do oponente, mas requer um consumo de energia “mana” (barra azul).

– felizmente, o nosso protagonista possui um POKéDex e antecipar as consequências de suas acções perante os inimigos! –
Recuperação de vida e energia “mana” são somente possíBeis via subida de nível, exploração de mapa ou consumo de poções específicas. Já o dinheiro pode ser trocado por determinados itens via de mercadores “misteriosos”.
Finalmente, além das regras gerais acima mencionadas, existem outras variáveis ligadas à combinação de raça+especialidade do nosso personagem e à sua “religião”. Analisemos um exemplo: um Humano Guerreiro será caracterizado por propriedades específicas, como a possibilidade de converter magias em pontos de ataque (típica dos Humanos) e um elevado poder de ataque (típico dos Guerreiros); durante o jogo, ele poder-se-á deparar com templos, com a possibilidade de os idolar e obter todos os benefícios, mas igualmente responsabilidades, respectivos ao culto em causa — cumprir os seus princípios resultará em obtenção de pontos de fé, posteriormente trocáveis por bênçãos; negá-los resultará em drásticas consequências e num herói mais fraco –. A fim de compreender as regras de cada religião, torna-se essencial uma leitura cuidadosa à sua descrição, mas cuidado, pois nem todas as descrições serão sugestivas!

– Deuses aleatórios… podemos sempre contar com eles para “algo” acontecer! –
3 — Conteúdos desbloqueáBeis? Que patrões!
Existem inúmeros modos, personagens e cenários a desbloquear, mas para tal, será necessário demonstrar dedicação e amor a esta obra gratuita. Para além deste conteúdo adicional, também é disponibilizada uma caixa de texto destinada à selecção das “sprites”, imagens do jogo. Os estilos presentes no jogo por defeito são: “default”, “fegon”, “old”, “pixel”, “strain” mas, dada a sua acessibilidade à produção de conteúdo adicional, existem outros “tilesets” elaborados por fãs (os quais devem ser colocados na pasta “tileset” do jogo). Será importante reBelar, portanto, que este é um dos jogos independentes com comunidades mais fiéis, ao ponto de existir uma página Wiki destinada somente a material Desktop Dungeons — infelizmente, encontrar estes ficheiros por entre fóruns enormes é pouco conveniente!
4 — Mas isto é só sorte? E isso é mau?!
Uma “interface” mais intuitiva, com algumas animações adicionais e legendas visíveis quando um certo termo é destacado, poderiam ser algumas melhorias menores a considerar para uma futura Bersão. Também me deu a entender, segundo a minha experiência, que por Bezes são geradas masmorras praticamente impossíveis de concluir com determinadas classes. Aliás, depois de exaustivamente ter experimentado este jogo, ganhei umas 5 ou 6 vezes, metade delas com classes focadas em força bruta (Guerreiro e Bárbaro), e foi porque tive sorte.

– Quem ser Talento? –
TodaBia, não admitir que me diverti imenso seria uma das maiores mentiras de sempre na minha carreira quanto “fanfarrão”. Desktop Dungeons não é sobre uma história, reviravoltas ou personagens com personalidade: é simplesmente um jogo aleatoriamente propício ao puro entretenimento, onde ganhar nem é tão importante quanto isso e no qual, consistentemente, descobriremos se “será que é desta que consigo?”. Existem inúmeras situações onde algumas estratégias podem funcionar melhor que outras e vice-versa. Pessoalmente, diria que se poderia re-equilibrar um pouco o modelo das classes/raças/especialidades/whatever, mas não demasiado, pois este “fun factor” tem descendência no Aleatório.
Como o site oficial cita: “Com uma média de 10 minutos por masmorra, Desktop Dungeons é uma experiência ideal nas pausas para café“… mais coisa menos coisa!


