As histórias infantis envolvem enredos simples e demasiado fantásticos para representar uma situação real. Estes transmitem, contudo, valores de cariz moral que poderão vir a ser importantes para o desenvolvimento dos jovens…

 

As fábulas ensinam-nos muita coisa, e Internet ensina-nos tudo o resto!

Mas hoje em dia, uma situação tão simples quanto o de adormecer uma criança contando uma história de fantasia é, pura e simplesmente, um luxo daqueles com tempo para tal: a sociedade industrializada, onde os pais praticam horas extraordinárias para assegurar as suas finanças, determinou que tais actos não passem de cenas cinematográficas ou televisivas. Entretanto, alguém pensou: “e se o livro de fábulas se convertesse, qual acto de magia, numa colectânea de Bideojogos, onde a cada visita, dia ou serão com o dito produto seríamos brindados com um conto distinto?”

É esta a premissa de TinyHack, uma aplicação/jogo web que, no entanto, requer um talento especial para ser interpretado minunciosamente:

Imagem do jogo ampliada em 20x... nah, é uma imagem em tamanho REAL!

Visualmente, não será o mais original ou apelativo para muitos. Isto porque adopta uma representação do seu mundo algo abstraCta, onde cada elemento chave é representado por intermédio de um quadrado, um “píxel” cujas características são determinadas pela sua cor:

 

  • Dourado: artefactos que é preciso obter;
  • Vermelho: entrada de masmorra;
  • Castanho: monstros!
  • Roxo: MAIS monstros!
  • Azul Ciano: itens porreiros, pá;
  • Azul Escuro: fontes… capaz de ser para recuperar Bida ou assim…
  • Cinzento: botões a pressionar para abrir portões brancos.

 

O quadrado branco, o protagonista, desloca-se em quatro direcções e pode interagir com os outros objectos… o problema está em perceber o que realmente se passou: “Estarei em vantagem no meu combate contra o píxel Bermelho-Tinto?”, ou “Para onde tenho de ir agora?”, ou mesmo “Terei recuperado energia ou estarei quase a morrer?” (só depois descobri que o primeiro quadrado, no canto superior esquerdo, revela a saúde do personagem).  Há quem goste de descobrir as regras que determinam o funcionamento do mundo virtual, mas aposto que existem outros tantos dispostos apenas a perder tempo num produto onde realmente dê para perceber o que está a ser feito…

Não é perceptível (ao Humano comum) que este senhor participa num ritual de inicialização às danças tradicionais dos Zimbabué.

O elemento-chave desta obra reside no facto de, por cada visita (ou actualização) que se faz à página, ser-se brindado com uma história diferente (de entre uma lista de hipóteses aleatórias, naturalmente). Infelizmente, porém, apesar do tal “conto” mudar, o jogo fica praticamente sempre o mesmo. Esta característica, porém, é a meu ver a característica mais bem pensada de TinyHack, pelo que me dá alguma pena ver que esta ainda não foi implementada ao ponto de, em função da história que nos sair, receber-se um nível diferente a concluir.

Mas, claro está, este é um produto gratuito, e a iniciativa é, para além de ambiciosa, algo inspiradora: não digo que fosse um best-seller, mas adoraria ver um jogo de baixo custo — ou quiçá uma daquelas “ápes” para “telemóveis maricas”, tablets ou mesmo a Wii-U — que implementasse esta mesma ideia de  TinyHack: uma colectânea de pequenas histórias (por defeito seleccionadas aleatoriamente) rápidas e simples de se jogar. Quem sabe não tenhamos aqui mesmo o início de uma longa amizade entre o didatismo e o entretenimento.

 

e estamos DESESPERADAMENTE a precisar de algum didatismo por estas bandas...


Para jogar (downloads e ligações):