Nos finais dos anos 80, não era comum por território Nacional incluir uma consola na lista de dispositivos essenciais num ambiente doméstico – nem um computador, quanto mais uma Pleisteichan! –. Com isto em mente, era normal para os meninos encontrarem máquinas de jogo em feiras da ladra e mercados locais: não se tratavam de produtos de marca ou sequer oficialmente registados, mas as suas fontes de inspiração sim.

Lá pelas Américas, já os meninos brincavam com as Mattel, Tiger e, quiçá as mais populares, as Game & Watch de Gunpei Yoroi (o pai do Game Boy e, em parte, da Nintendo como a conhecemos hoje). Diz-se mesmo que as percursoras da Nintendo DS foram possíveis graças a uma observação atenta a um aborrecido empregado tentando divertir-se numa calculadora portátil!

– não é que o mundo tenha mudado assim TANTO! –

É caso para perguntar: como se diBertiam os meninos das portáteis primordiais?

Pica-Pic é a resposta: um museu digital destinado a preservar 20 destas máquinas ancestrais, outrora respeitada, sob a forma de simulações. São autênticos testes à nossa concentração, reflexos e, acima de tudo, paciência: a expressão “jogar até fartar” nunca fora tão bem aplicada, porque o “fartar” vem bem cedo e as premissas dos jogos bastante padronizadas. Enredos para Bideojogos eram sequer impensáveis e o debate sobre a manifestação destes MEDIA enquanto forma de arte ainda inexistente — já era uma sorte haver jogos, quanto mais “jogos artísticos”!

Não só a interface da aplicação web é intuitiva, mas igualmente o é o modo como esta disponibiliza funcionalidades como a submissão de pontuações online e reconfiguração/mapeamento de teclas.

De entre as relíquias em exibição, destaque especial Bai para:

  • Mickey & Donald — perante os seus contemporâneos, até se tratava de um jogo algo complexo e que reflecte uma das premissas das Game & Watch: dois personagens com dois controlos a executar duas funções complementares;
  • Donkey Kong Jr. — jogo de plataformas onde um Donkey Kong tenta salBar o outro — yawn;
  • Bartman — não precisou de esperar até 2009 para ser dignificado no mundo dos Bideojogos… NOT!
  • Zelda — Teve direito a uma Máquina Game & Watch, mas será alguma coisa de jeito?… Meh, nem por isso!
  • Ncha Bycha: Dr Slump ARALE — é como aqueles jogos onde temos de guardar o nosso quintal das toupeiras, só que com criaturas estranhas no lugar destas últimas, tendo nós portanto de abordá-los e… dizer olá;
  • Autoslalom — joguito de corridas: o realismo ainda não era suficiente para confundir os obstáculos com os troços de estrada;
  • Thief in Garden — gráficos bonitos e… AI MUE DUES, TANTOS BOTÕES!!!
  • Terminator – Santa Catarina, o patrão Schawrz-nega chegou!

Naturalmente, são todos jogos repetitivos e rapidamente se convertem de divertidos a maçadores, mas esta página cumpre na perfeição aquilo que procurava: representar uma era onde as “máquinas da feira da Ladra” estavam no topo da sua forma e não existiam portáteis capazes de reproduzir aquilo que podem aglomerar hoje num mero pedaço de plástico:

A entrada é gratuita: para jogar, clicai aqui!