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Hype
Por: | 26 de Setembro de 2007 às 09:19 | 13 Comentários

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Hoje é dia 26 de Setembro, o dia em que o Halo 3 sai na Europa. Haverá jogo com mais Hype do que ele?

um sintoma passível de acontecer a quem acumula muito Hype

Para debater este assunto — Hype — convidei o chapa Lucas Patrício para publicar aqui no RumblePack um artigo sobre Hype. Podem visitar o seu blogue aqui, que também foi adicionado à lista de links.

Quem é que nunca passou pela situação de esperar muito pelo lançamento de um jogo? A ânsia pelo mesmo fica de tal forma que se chega ao ponto de procurar todos os artigos sobre determinado jogo, de ver todas as fotografias e vídeos. Sentir que muitas mais pessoas também estão ansiosamente à espera pelo mesmo jogo é reconfortante e só aumenta ainda mais o nosso desejo pelo mesmo. Até que o jogo é finalmente lançado e… todas as nossas expectativas criadas ficam goradas. Afinal, o jogo é uma desilusão.

Exemplos são bem particulares. Alguns dos jogos que se podem encaixar nesse contexto são realmente ruins, e acabaram por perder completamente a expectativa à volta do mesmo. Quem não se lembra de Driv3r? Quem se recorda deste jogo, sabe o quanto uma sequela mal feita pode arruinar um jogo até então de sucesso.

Por outro lado, também existem jogos muito bons, só que o “hype” (vamos falar mais disso a seguir) foi tão grande à volta do seu lançamento, que eles não conseguíram atingir as expectativas e receberam árduas críticas e notas baixas.

Eu nestes últimos dias pensei muito sobre este assunto, e achei que daria uma base para um artigo. Assim sendo, procurei algumas das “autoridades” do jornalismo de videojogos do Brasil e perguntei se o “hype” deve ser um factor a ser levado em consideração na hora de analisar e de que forma devemos lidar com esse factor numa análise. Ou não devemos?

O que é o hype?

Antes de poder discutir sobre o tal “hype”, é bom deixar claro o que é essa palavrinha tão usada ultimamente em revistas, sites e até como o nome de uma revista em Portugal.

O hype não é nada mais do que a expectativa criada em torno de um jogo. Exemplo: quantos artigos já leram sobre o lançamento de Metal Gear Solid 4? E quantos sobre o novo jogo de Rugby da Electonic Arts? É claro que não se pode comparar os títulos, mas fica evidente como a diferença de “importância” dada pela imprensa (e próprias produtoras) é completamente diferente, independente dos motivos. Isto é o hype: o “burburim” criado em torno do lançamento de alguns jogos.

Herói ou vilão?

Herói ou vilão? Onde será que podemos encaixar o hype? Vejamos só como podemos obter vários pontos de vista completamente diferentes sobre o assunto:

“Esqueça a palavra Hype. Retire ela do seu dicionário. O mais importante é o sentimento ali na hora em que você pega o controle e tudo funciona como deveria. (…). Nunca espere de um produto nada mais do que os seus próprios olhos e bom senso estão vendo.”

e:

“ A expectativa (hype) SEMPRE é relevante – não por ser algo bom, mas por ser um reflexo natural da pessoa que está prestes a escrever um texto analisando a qualidade de algo

Encontraram alguma diferença entre essas duas opiniões? Completamente opostas, não é?
A primeira frase foi dita por Márcio Vivas, editor chefe do site FinalBoss, enquanto que a segunda foi dita por Gabriel Morato, editor da PlayTV.

Só com esta comparação já dá para perceber o quanto este assunto pode gerar de polémica. É difícil encontrar um meio termo na hora de saber se o hype é ou não fundamental para uma análise.

Márcio Vivas defende que o jogo deve ser analisado apenas pelo o que ele é, enquanto Gabriel Morato por sua vez acha que o hype é reflexo da pessoa que analisa determinado jogo. Quem é que está certo? Ainda é cedo para se tirar uma conclusão.

Usar ou não usar? Eis a questão…

“No caso de uma análise séria, deve-se esquecer os gostos pessoais e ser realista no que está escrevendo ou falando, mostrar a real do jogo. O hype e gosto pessoal não podem interferir nessas horas”, foi o que Ronaldo Testa, editor da Nintendo World (Futuro Comunicações) me disse.

Fábio Bracht, colaborador de revistas como EGM Brasil, Nintendo World, SuperDicas PlayStation e dono do blog 16-Bit, acha que tudo o que se relaciona àquele jogo em particular, deve ser levado em conta, inclusive a expectativa. Contudo ela não precisa necessariamente de transparecer no texto ou de se reflectir na nota do jogo.

Claudio Prandoni, um dos idealizadores do projecto da revista “Continue” e também do blog Hadouken, acredita que omitir que algum jogo atingiu ou não a expectativa, pode deixar a análise pobre.

Ao olhar para estas perspectivas dadas, é ainda mais difícil concluir se devemos usar ou não a expectativa que temos de algum jogo quando é altura de escrever a análise do mesmo. Será que ficar surpreendido com algum jogo do qual não se esperava muita coisa pode acabar por gerar uma análise “mais generosa” do que aquele que se esperava tanto e acabou por ser uma decepção?

Luiz Eduardo Freitas, editor do blog Dezenove e do site Wii Brasil, diz que quando se espera algo muito negativo de um jogo, passamos a prestar e dar muito mais valor aos pontos positivos, justamente por serem surpreendentes e inesperados. Acontece a mesma coisa, mas no sentido oposto; se esperamos muito, vamos acabar por prestar mais atenção aos defeitos e bugs do jogo.

Como ser justo?

Após lermos várias opiniões sobre esse assunto, acredito que, tal como eu, devem estar-se a perguntar se realmente é justo ou não colocar no texto o reflexo das nossas expectativas. “Como é possível dar um juízo de valor sem deixar a opinião pessoal influênciar? E você estará absolutamente certo ao dizer que isso é impossível.”, disse Gabriel Morato.

Realmente é impossível separar o juízo da emoção. Claudio Prandoni afirma que devemos saber distinguir bem todos os factores, e não se pode tirar os méritos de um jogo apenas por uma decepção pessoal.

“Eu gosto muito de escrever bem de um jogo que não foi criado expectativa alguma, pois mostra que a empresa não se preocupou em ‘vender o peixe’ antes do game mostrar seu potencial”, foi o que disse Ricardo Farah, editor assistente e editor de análises das revistas Nintendo World, SuperDicas PlayStation, EGM Brasil e EGM PC, além de editor da revista Level Up.

Nessa mesma linha de raciocínio, Ronaldo Testa acredita que o hype criado pelas produtoras é favorável apenas para elas mesmas, e citou o exemplo do Red Steel, da Ubisoft: “O hype gerado em cima dele foi muito grande, talvez tão grande quanto a decepção de alguns jogadores que acabaram por esperar uma obra prima, e receberam um jogo mediano.”

Veredicto

Controlar as emoções é algo difícil, e portanto, controlar a vontade de fazer uma crítica maior num jogo que acabou por deixar a desejar torna-se difícil.
Da mesma maneira, deve-se tomar cuidado quando um jogo nos supreende, pois nem sempre o que é melhor do que pensamos, é realmente bom.

Conseguir um equilíbrio talvez seja a grande diferença entre uma óptima análise e uma análise pobre.

É claro que agora cabe somente a cada um de vocês saber se vale apena, ou não, levar as expectativas em conta. Considerem tudo isto que foi dito, como uma base para uma discussão alargada; que começa agora — na sua cabeça.

Special Thanks

Gostaria de agradecer as pessoas que gentilmente me ajudaram fazer este artigo, respondendo às perguntas e discutindo o assunto.


13 Comentários no “Hype”

  1. Excelente artigo.

    Para mim, o hype faz parte da experiência de ser jogador, mas não parte da experiência do jogo em si, que deve ser encarado independentemente das influências externas, quer do marketing, quer das críticas, quer dos restantes jogadores.

    Evidentemente que é praticamente impossível (e até indesejável) isolarmo-nos de toda essa influência, mas só temos a ganhar em esquecê-la quando pegamos no comando.

  2. Tu diz:

    Um artigo sem gifs animados !!!
    Blasfémia!!!!

  3. Óptimo! Agora que há precedente, já me sinto à vontade para fazer mais assim. :P

    Teh funny != GIF

  4. Tu diz:

    “Óptimo! Agora que há precedente, já me sinto à vontade para fazer mais assim.”

    Não me digas que o teu pc não aguenta com um par de gifs nos artigos…

  5. Não, mas às vezes um GIF simplesmente não se justifica.

    E porque é que não havia de aguentar?

  6. Xupaxupa diz:

    Tenho mais prazer com uma experiência de jogo se sei muito pouco sobre ele (o suficiente para ficar com curiosidade), e quando jogo gosto de ser surpreendido.

    Pessoalmente, não curto o hype. Além de não ser mais que publicidade, não consigo deixar de o ver como uma forma de manipular as pessoas. E nas proporções que tem actualmente, chega a ser mais divertido “participar no hype” que jogar o próprio jogo…

    Em termos de reviews… jogar um jogo é sempre pessoal, tentar jogá-lo imparcialmente é cortar parte da experiência de jogo. Não acho que haja problema em colocar isso na review, as pessoas que depois a lêem têm é que estar atentar à pessoa que escreveu. Mesmo que o Halo 3 receba um 10 em 10, se não gostar de FPS não vou tirar grande prazer do jogo.

  7. Alarka diz:

    Por acaso haver hype num jogo até me tira prazer ao jogá-lo. Tenho reacções contrárias ao hype. Por exemplo, quanto ao Halo 3, nem tenho muita vontade de o jogar.

    Outro exemplo foi o Zelda TP. Há muito que via videos do jogo e ouvia falar, mas quando o joguei, não superou as expectativas… E acabei por gostar bem mais de Okami que praticamente nunca tinha ouvido falar. Aliás, meu jogo favorito é Conker’s Bad Fur Day. Quantos de vós já ouviram falar dele? lol

    BTW, muito bom artigo. Parabéns ao autor! ;)

  8. h4rri3r diz:

    Faz comichão o jogo ser tão bom.

  9. “Faz comichão o jogo ser tão bom.”

    fodase .. bitaite do caralho hein.

    http://img407.imageshack.us/img407/6421/vaiparazx0.gif

    E ler além do primeiro parágrafo não?

  10. BigLord diz:

    Eu a mim é ao contrário do alarka. Quanto mais hype, mais “hypado” fico, lol.

    Com todo o Hype à volta do SSBB, de tal modo que ninguém fala dele mas toda a gente fala dele… Sinto-me em pulgas lol.

  11. hyourinnmaru diz:

    se fosse ligar as reviews não jogava nada…

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