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Especial National Geographic: O hardcore gamer, esse animal.
Por: | 9 de Setembro de 2007 às 15:04 | 13 Comentários

E agora, algo completamente diferente.

Bem sei que é verdade que os leitores deste blog estão habituados a artigos com poucas palavras, muitas imagens, e ainda mais paródia. Mas comigo, não há cá nada disso. Não senhor, este é um artigo sério, escrito por uma pessoa séria. Para o demonstrar, aqui está uma imagem séria:

Não, meninas, não sou eu. Deixem de enviar mails.

Agora que cumpri a quota obrigatória de imagens por post deste blog, está na hora de iniciar o primeiro de uma série de artigos dedicados a explorar a fascinante fauna do mundo dos vídeojogos. Em cada artigo, uma nova besta será posta a nú, para mal das vossas frágeis mentezinhas. Tremam.

O selvagem mundo dos vídeojogos está repleto de criaturas com todas as cores, formas e cheiros; Porém, poucas delas são tão vis como o hardcore gamer, esse animal.

Vindo das profundezas da cave da casa dos pais, de onde raramente sai, este bizarro ser, com a sua alma deturpada por milhares de horas no Counterstrike, e os seus sovacos desesperadamente carentes de Rexona, apenas interage com outras espécies de jogadores para afirmar uma superioridade imaginária baseada em percentagens de headshots, Xbox Achievement Points e outras medidas igualmente ridículas. O seu habitat natural é inconfundível: um quarto de adolescente com as persianas eternamente baixadas, 3 monitores, 2 PC’s (um deles kitado para mostrar aos “amigos” e outro com as entranhas abertas, que é o que eles realmente usam), a cama por fazer, a roupa suja do mês passado pelo chão, e um cheiro omnipresente a mofo e suor.


O habitat natural do hardcore gamer em todo o seu esplendor.

Costumam autoqualificar-se utilizando o termo “leet”, abreviatura de “literalmente sem vida”, porque cada minuto da sua existência é dedicado a arranjar novas idiotices relacionadas com jogos para se vangloriarem. O hardcore gamer, apesar do seu nome, prefere falar de jogos a jogar, e obtém particular satisfação de menosprezar e ridicularizar os possuidores de consolas que ele próprio não possui, e em particularmente aquilo que ele chama de “casual gamers”, que aparentemente é um termo que na realidade significa “pessoas que praticam sexo com regularidade”.

Apesar disso, estes seres não têm grande dificuldades em manter relações amorosas sinceras e dedicadas. Infelizmente para eles, a nossa sociedade ainda não contempla o casamento entre humanos e consolas, pelo que têm de se contentar em manter as suas amadas satisfeitas com kits de neons, mods não autorizados e jogos importados do Japão. O seu conceito de “ritual de acasalamento” limita-se a fazer “teabagging” a um adversário recém-abatido.

A principal forma de socialização do hardcore gamer dá pelo patusco nome de “LAN Party”. Neste estranhos rituais, os hardcore gamers reunem-se para, em conjunto, imaginarem que a potência das suas máquinas é proporcional ao tamanho do seu pénis. O conceito de “convívio”, estranho para esta criatura, assume segundo plano face ao exorcismo do demónio “Lag”, uma das principais figuras da sua mitologia, ao lado do deus “Megahertz”. Também, cheiram mal.

Nos últimos anos, esta espécie foi colocada na lista de espécies ameaçadas devido ao alastramento da poluição lúdica proporcionada por plataformas como a Nintendo DS e a Wii. Conceitos como “divertimento”, impossíveis de apreender pelas mentes limitadas dos pobres hardcore gamers, têm ganho terreno no continente dos jogos, deixando cada vez menos espaço para o habitat natural do hardcore gamer. Esperemos só que os esforços da Sony e Microsoft de criarem reservas dedicadas ao hardcore gamer surtam os seus frutos, sob pena de deixarmos de poder admirar estas lamentáveis bestas – de preferência, à distância.

Dois dos predadores naturais do hardcore gamer, em pose de ataque.

Por: Myke Greywolf


13 Comentários no “Especial National Geographic: O hardcore gamer, esse animal.”

  1. Anonymous diz:

    Yay. Vivá Nintendo.

  2. Homie diz:

    Estou a gostar Myke ;) Podes continuar :P

  3. Tu diz:

    Então e os gifs animados? Ehk! :P

  4. Duque diz:

    O Myke e a sua poderosa capacidade de escrita! És o maior. :D

  5. Com estas provocações aos hardcore gamers, já imagino meia dúzia deles com snipers no topo de edificios, à espera que o Myke saia de casa!!!
    Ahh esqueçam a minha teoria… Esses “l33t m4n14c5″ tão fechados na cave da casa dos pais (não saiem à rua com medo da exposiçao solar) ;)

  6. Eu diz:

    bom se forem mesmo bons fabricam um robo, controlado pelo motor de jogo do CS, e assim ja podem ocupar as posicoes de sniping sem terem de sair de casa

  7. emogrumpyuke diz:

    Tenisu no Ojisama – serious business indeed!
    XDDD

  8. Kanden diz:

    LOL! Isto escrito por um Core-Gamer multiplica a piada por mil. (Isto é pela lista de jogos do Myke, nota-se que ele não é um casual-gamer, mas sim um jogador já com uma certa experiência…deduzo eu (Mas nem sei porque estou a escrever isto. Afinal isto É o Rumble Pack.))

    De qualquer modo, grande post Myke, e um bom apanhado dos estereótipos. Pena que em Portugal, poucos sejam os que dormem em caves. xD

    Mais uma vez, good job.

    PS: A tua escrita rula. D:

  9. mykegreywolf diz:

    Eu era assim, Kanden, mas agora estou melhor, obrigado.

    De qualquer forma, “casual gamer” não implica que não se tenha experiência. Eu não sou tanto um “hardcore gamer” como um “hardcore gosta-de-acompanhar-a-indústria-dos-vídeojogos”.

    Jogo 4-5 horas por semana. Acho que isso me mete longe de qualquer “hardcore gamer” a sério que se preze.

  10. Alarka diz:

    E há outra coisa que te diferencia dos hardcore gamers: És casado e tens filho(s). Hardcore gamers nem chegam a ter namoradas, quanto mais casar ou perder a virgindade!!! xD

    Força, continua! ^^

  11. Ridley Wright diz:

    @Kanden, o Rumble Pack não concorda nem discorda, muito pelo contrário, apenas acha que o importante é que interessa, lol. Desde que os leitores mantenham presente o espírito jocoso de quem cá escreve e não se meta a arrotar postas de pescada, também temos lugar para falarmos seriamente.

    Quanto ao post Myke, já to tinha dito, mas repito-me, está bastante bom, e o meu bem vindo “oficial” à equipa. Welcomi, lá dizia o outro. :P

  12. Darkmessaiah diz:

    Ui, até mete medo ver o Miyamoto pronto para atacar com a sua arma anti-hardcore (aka Wii-mote). Admiro o fotógrafo responsável por ter tido coragem de tirar a foto em pleno ataque.

    Não sei se serei visto como um hardcore gamer ou não, mas independentemente disso adorei mesmo o post, portanto os meus parabéns a Myke Greywolf.

    I look forward to your next post.

    PS: se me enganei e o indivíduo com o wiimote na foto não é o Miyamoto, peço desculpa.

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