Agora que já se fala na possibilidade de organizar uma Games 2010 é altura de recordar a última, de 2006.
Pouco depois da sua apresentação e dos workshops, de 26 a 30 de Setembro foi a vez de Portalegre receber o maior festival nacional dedicado ao desenvolvimento de jogos.
Dos convidados internacionais distinguem-se Alexander Fernandez (CEO, Streamline Studios), Chris Crawford (Storytron), Rémi Arnaud (Graphics Architect, Sony Computer Entertainment of América), Joseph Olin (Presidente da Academy of Interactive Arts & Sciences) e Jason Della Rocca (Executive Director, IGDA). De cá foram os suspeitos do costume.

– Mais leet que o vosso computador overclockado! –
Depois da longa viagem de autocarro parou-se primeiro na Nerpor onde se fez a troca dos bilhetes por passes. Junto com estes recebemos mochilas, t-shirts e um bloco com o nome do evento, uma Mega Score (Army of Two na capa, oferta do jogo Guilty Gear X2) e uma caneta. A InérciaDemoparty também estava a ser montada nesse momento num espaço amplo.
– Conseguem encontrar-me nesta foto? –
No dia seguinte começou a tão esperada Games 2006 e começaram também as dúvidas em relação à organização. Os dois espaços principais do evento eram a tal Nerpor e a ESTG, que são dois espaços distintos e distantes (principalmente para quem não tem carro), o que criou logo confusão após o acordar. Várias pessoas perderam actividades da manhã porque foram dar ao sítio errado e não conseguiam chegar ao certo. Mostrando o passe era possível andar de autocarro de graça, o que foi positivo.
Houve várias conferências interessantes, com um público que variava conforme as outras coisas que se estavam a passar nas outras salas. O grande destaque acabou por ser a “Paradigm shifts and the games community”, dada pelo teatral Chris Crawford. Esta acabou em discussão com Jason Della Rocca por causa de um choque de opiniões.
– Chris Crawford a provocar o público –
Não tinha acesso às workshops mas isso não me impediu de estar atento ao que se passava por lá, a partir do lado de fora. De todas as que se passaram as que chamaram mais pessoas foram a do Chris Crawford – devido à discussão com Jason Della Rocca que se tinha passado pouco tempo antes, a de Arte para Jogos Casuais dada por Marco Vale e a workshop sobre Cinematics para Jogos dada por Bruno Patatas.
As duas primeiras esgotaram os lugares e a última encheu apenas a porta da sala porque não chegou sequer a abrir. Mas, para todos aqueles que estavam curiosos para ver o Bruno Patatas em acção num workshop, ele acabou por aparecer no Collada Show a apoiar o Rémi Arnaud em demonstrações de Collada.
– Pensavam que podiam escapar mas acabaram por levar com cultura portuguesa em cima –
Fora as palestras havia também o tal espaço da Nerpor. Lá estava um espaço com as tais consolas, um écran a mostrar imagens do Blitz & Massive, um expositor com imagens das futuras casas da Game City (uma visão do futuro!), a InérciaDemoparty, a FragCup e uma mostra dos jogos finalistas do concurso de jogos da Games 2006.
Quis conhecer as pessoas que tinham feito as melhores produções. Chegar lá foi o primeiro desafio mas depois de conseguir fiquei espantado com a quantidade de coisas que havia naquele espaço, tão longe do resto. Conheci a equipa do Orion’s Belt e os irmãos Cesteiro (a malta que mais tarde veio a criar a Camel Entertainment), entre outros. A Inércia estava dolorosamente vazia.
– Qwentin a abrir a vaga de concertos –
Os concertos decorreram sem grandes percalços excepto o do Fernando Alvim, que teve de ser interrompido pela polícia graças “à barulheira”.
A Gala PixelBoy Awards foi a cereja no topo do evento. Apresentada por Fernando Alvim e com um esforço para comunicar as partes importantes em inglês, foi inesquecível. Piadas sobre a mascote do multibanco e o fenomenal “We have the games in our cerebro!”(Paulo Gomes) ficarão para sempre marcados na minha memória. Os grandes vencedores dos prémios do concurso de jogos foram a equipa do Orion’s Belt.

– Equipa do Orion’s Belt a aceitar um dos seus dois prémios –
Foi comunicado nos media que houve cerca de 500 visitantes, mas suspeito que aquele grupo enorme de escoteiros que estava a jogar nas consolas tenha sido uma boa fatia. A FragCup foi ganha pelos x6tence.AMD, uma equipa espanhola.
Concluindo, do meu ponto de vista acabou por ser um evento agridoce (e ainda nem sabia dos gastos do evento que mais tarde vieram a público). Pontos positivos vieram sempre acompanhados de pontos negativos mas creio ter sido importante para Portugal e para os portugueses interessados em desenvolver jogos de vídeo. Serviu para criar contactos e pôr o país a falar da possibilidade desta indústria se estender até ao nosso país.
Outras perspectivas: blog do Jason Della Rocca, fórum do Chris Crawford
Fonte das imagens: blog do Jason Della Rocca e do Nelson Calvinho porque o meu scanner me odeia
Por: gr9yfox